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Jornalista processa Dearborn e seu prefeito por discriminação contra cristãos e judeus

Pastor local apoia a ação judicial

Dexter Van Zile, pesquisador do Middle East Forum, organização de pesquisa aplicada em políticas públicas, na cátedra Violin Family Research Fellow, é editor-gerente do Focus on Western Islamism. Antes do cargo atual, Van Zile trabalhou por 16 anos no Committee for Accuracy in Middle East Reporting and Analysis, onde teve papel central no combate à desinformação disseminada em igrejas cristãs por cristãos palestinos e na refutação da propaganda antissemita veiculada por nacionalistas brancos e seus aliados nos EUA. Seus artigos foram publicados no Jerusalem Post, no Boston Globe, na Jewish Political Studies Review, no Algemeiner e no Jewish News Syndicate. Ele é autor de numerosos estudos acadêmicos e capítulos de livros sobre o antissionismo cristão.

When a local pastor condemned officials for naming a busy intersection after Hezbollah-supporter Osama Siblani in September 2025, Dearborn Mayor Abdullah Hammoud (above in 2024) called the pastor “an Islamophobe,” declaring: “I want you to know as mayor, you are not welcome here. And the day you move out of the city will be the day that I launch a parade celebrating the fact that you moved out of the city because you are not somebody who believes in coexistence.”
Quando um pastor local condenou as autoridades por batizarem um movimentado cruzamento com o nome de Osama Siblani, apoiador do Hezbollah, em setembro de 2025, o prefeito de Dearborn, Abdullah Hammoud (acima, em 2024), chamou-o de “islamofóbico” e declarou: “Quero que saiba, como prefeito, que você não é bem-vindo aqui. E o dia em que você se mudar da cidade será o dia em que farei um desfile para comemorar o fato de você ter saído da cidade, porque você não é alguém que acredita na coexistência.” · (Shutterstock)

A conta chegou para Dearborn, no Michigan, e para seu prefeito, Abdullah Hammoud. Um ano e poucos dias depois de Hammoud repreender um pastor local que havia criticado os elogios do prefeito a um apoiador do Hezbollah, Margot Cleveland, jornalista e comentarista jurídica que escreve para o The Federalist, entrou com uma ação na Corte Distrital dos EUA contra Hammoud e a cidade que ele governa. O processo, protocolado pelo American Freedom Law Center (AFLC) em 17 de setembro de 2026, acusa a cidade e seus dirigentes de violar a Cláusula de Estabelecimento da Constituição dos EUA, que proíbe instituições públicas de privilegiar uma religião em detrimento de outra.

“Por tempo demais, a cidade de Dearborn tem sido um lugar hostil para cristãos e judeus. O réu Hammoud levou essa hostilidade a outro patamar, transmitindo abertamente a mensagem de que cristãos e judeus não são bem-vindos na cidade e são, de fato, cidadãos de segunda classe”, afirma a petição inicial, ecoando argumentos já apresentados nas páginas do Focus on Western Islamism.

A petição detalha um padrão de suposto favorecimento religioso que remonta a abril de 2025, quando Cleveland descobriu que a cidade havia gasto dinheiro público — cerca de US$ 1.500 em faixas com os dizeres “Ramadan Kareem” e US$ 5.000 em um painel iluminado em forma de lua crescente em um parque municipal — sem oferecer reconhecimento equivalente à Quaresma ou à Páscoa judaica, que se aproximava. Segundo a ação, o pedido feito em seguida por Cleveland para que a cidade tratasse as festas cristãs e judaicas com o mesmo reconhecimento público ficou sem resposta, enquanto o departamento de polícia da cidade vendia camisetas com temática do Ramadã estampadas com seu emblema oficial e Hammoud usava seu e-mail oficial para divulgar um evento de Iftar. A ação alega que a disparidade só se ampliou em 2026, quando a cidade instalou novos painéis iluminados do Ramadã que o próprio Hammoud descreveu como um reflexo de “quem somos como cidade”, enquanto o orçamento da Câmara Municipal daquele mesmo ano novamente não previa recursos para celebrações cristãs ou judaicas comparáveis, apesar do superávit orçamentário e dos repetidos apelos públicos de Cleveland.

“Nem [o procurador municipal] Mr. Romer nem qualquer outra pessoa da cidade respondeu ao e-mail da autora”, registra a petição.

A ação apresenta três pedidos: um, com base na Primeira Emenda, alegando retaliação, segundo o qual a cidade e Hammoud puniram Cleveland por seu trabalho jornalístico e sua militância, excluindo-a das comunicações e das reuniões públicas; outro, com base na cláusula de igual proteção da Décima Quarta Emenda, alegando que ela recebeu tratamento pior do que o de moradores em situação semelhante por causa de suas posições religiosas e políticas; e um terceiro, com base na Cláusula de Estabelecimento, alegando que a cidade favoreceu de forma inconstitucional o islã em relação ao cristianismo e ao judaísmo ao patrocinar painéis e eventos religiosos. A petição aponta a própria declaração pública de Hammoud de que o programa do Ramadã reflete “quem somos como cidade” como prova de um endosso oficial do poder público a uma fé em detrimento de outras, e pede ao tribunal uma sentença declaratória, uma liminar contra as práticas supostamente discriminatórias da cidade, indenização simbólica e honorários advocatícios.

Cleveland alega que, depois de pedir publicamente à Câmara Municipal que financiasse faixas de Páscoa (cristã e judaica) e um candelabro de Hanucá, autoridades municipais determinaram que a Procuradoria da cidade orientasse os vereadores a não se comunicarem com ela, citando sua declarada intenção de apresentar “possíveis demandas judiciais”, embora ela tenha dito repetidamente que seu objetivo era resolver a questão sem litígio. Ela também alega que foi impedida de atuar como jornalista em uma reunião de “Atualização para a Comunidade” em abril de 2026, tendo sido autorizada a comparecer apenas como moradora, sob a condição de não fazer reportagem sobre o encontro, e que nunca mais foi convidada para outra reunião do tipo — prova, segundo afirma, de que a cidade a excluiu em retaliação à sua militância e às suas críticas ao prefeito.

“Ao permitir e promover seletivamente a expressão religiosa para muçulmanos, negando expressão semelhante a cristãos e judeus, conforme exposto nesta petição, os réus transmitiram e efetivaram uma preferência governamental por uma tradição de fé em detrimento de outra.”

A ação também relata um confronto hoje lendário entre Hammoud e o pastor local Ted Barham. Em uma reunião da Câmara Municipal em 9 de setembro de 2025, Barham se levantou para contestar a decisão da cidade de rebatizar uma rua local em homenagem a Osama Siblani, homem que elogiou publicamente o Hezbollah e o Hamas como “combatentes da liberdade”. Apresentando-se como cristão que havia morado no Líbano, em Israel e na Cisjordânia, Barham disse aos vereadores que a sinalização da rua era “bastante inapropriada”, comparando-a a nomear uma rua de “Rua Hezbollah ou Rua Hamas”, e citou algumas das declarações inflamadas do próprio Siblani — inclusive o comentário de que o sangue dos “mártires” “irriga a terra da Palestina”. Barham encerrou invocando as escrituras cristãs, dizendo que desejava “encorajar a paz” e que Jesus, “chamado de príncipe da paz”, acrescentando a frase “bem-aventurados os pacificadores”.

A resposta de Hammoud, registrada em vídeo e citada longamente na petição, tornou-se desde então notória. Ele disse a Barham: “A melhor sugestão que tenho para você é não dirigir pela Warren Avenue ou fechar os olhos enquanto o faz”, antes de acusá-lo de hipocrisia por criticar a mudança do nome da rua tendo ele próprio publicado vídeos “em frente à minha mesquita dizendo as coisas mais cruéis sobre os muçulmanos”.

Hammoud passou então a chamar Barham de “intolerante”, “racista” e “islamofóbico”, e declarou: “Embora você more aqui, quero que saiba, como prefeito, que você não é bem-vindo aqui. E o dia em que você se mudar da cidade será o dia em que eu promoverei um desfile para celebrar o fato de você ter se mudado da cidade . . . porque você não é alguém que acredita na coexistência”. A petição apresenta esse episódio como prova direta da hostilidade do prefeito a moradores não muçulmanos que criticam as políticas da cidade.

“O réu Hammoud levou essa hostilidade a outro patamar, transmitindo abertamente a mensagem de que cristãos e judeus não são bem-vindos na cidade e são, de fato, cidadãos de segunda classe”, afirma a petição.

Barham diz que, embora muitos o tenham instado a processar o próprio Hammoud depois do confronto — citando possíveis ações por retaliação com base na Primeira Emenda, inibição da liberdade de expressão e difamação —, ele optou por não fazê-lo, apoiando-se em sua convicção cristã de “abençoar os que vos maldizem” e na esperança de conquistar o prefeito e outros vizinhos muçulmanos para “o evangelho da paz”, em vez de responder na mesma moeda.

“Ao mesmo tempo, também há fundamentos bíblicos para adotar medidas legais que assegurem o direito de promover o evangelho. Sendo assim, apoio a decisão do American Freedom Law Center de fazê-lo”, disse Barham ao FWI.

Anthony Deegan, morador cristão de Dearborn que tem trabalhado para documentar e enfrentar a propaganda antiamericana e anti-Israel difundida por islamistas e seus aliados de esquerda na cidade, diz que a ação se encaixa em um padrão que ele acompanha há anos. Diante das controvérsias em curso na cidade — inclusive políticos tratando bens e espaços públicos como brinquedos pessoais —, ele afirma que era “apenas questão de tempo” até Dearborn se ver do lado perdedor de mais um processo caro.

“Este pode ser o caso”, disse Deegan.

“Dearborn já passou por esse caminho antes, e perdeu todas as vezes”, disse David Yerushalmi, cofundador e advogado sênior do AFLC, citando processos anteriores contra a cidade. “O que torna este caso especialmente preocupante é que autoridades municipais, incluindo o prefeito, responderam ao pedido respeitoso de uma cidadã por tratamento igualitário com silêncio, obstrução e hostilidade aberta — inclusive com as próprias palavras do prefeito dizendo a um morador cristão que ele ‘não é bem-vindo’ em sua própria cidade. Nossa cliente está simplesmente pedindo que a cidade trate cristãos e judeus como cidadãos iguais.”

O prefeito de Dearborn, Abdullah Hammoud, não respondeu a um pedido de comentário do FWI.

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