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Guerra contida contra o Irã compromete a vitória

Trump ainda pode decidir vencer o conflito, mas teria de enfrentar adversários nos dois extremos do espectro político

Ira Straus é assessor sênior do Atlantic Council e presidente do Center for War/Peace Studies.

Trump, speaking to Fox News, professed himself in no hurry for diplomatic progress, saying that "We have all the cards. They can call us anytime they want."
O presidente Donald Trump. · Image: White House

A guerra contra o regime iraniano é interrompida repetidamente no meio do combate. Líderes e diplomatas insistem em pausá-la e deslocá-la para sucedâneos da guerra. Em vez de lutar para mudar o regime, o esforço diplomático se desvia para outros objetivos.

É por isso que a guerra continua.

O falecido neurologista austríaco Sigmund Freud explicou que um bloqueio contra fazer a coisa certa leva a fazer outras coisas que não alcançam o objetivo, mas ainda assim dão a sensação de ação. À medida que a pessoa insiste nesses substitutos, acumulam-se os custos dos objetivos não resolvidos.

Uma guerra de verdade mobiliza todas as forças militares quando necessário; não recorre apenas à força aérea. Uma guerra reprimida se limita a bombardear e torce para que todos, impressionados, cedam.

A mudança de regime ocorre no terreno. Exige um jogo terrestre: tropas no terreno — provavelmente alguns americanos como núcleo organizador, aliados e uma oposição iraniana armada para fazer a maior parte do trabalho pesado. Usa as forças aéreas e navais como complemento do jogo terrestre; não as toma como substituto dele.

O que é uma “guerra deslocada”? Uma operação militar desviada dos métodos ótimos para métodos subótimos — combater por todos os meios, menos aqueles que levariam ao êxito. Por que isso acontece? Pela mesma razão que Freud apontou para todos os deslocamentos psicológicos: um bloqueio mental contra enfrentar a coisa real. Depois de 1945, muitos ocidentais ergueram um bloqueio contra o Ocidente fazer o que era necessário para vencer guerras. Fizeram isso por medo da guerra nuclear e por uma aversão injustificada a derrotar inimigos de forma decisiva. Esse bloqueio mental se espalhou pela mídia, pela academia e pelas classes profissionais, produzindo um tabu contra até mesmo falar em vencer guerras. Hoje há, em boa parte do espectro político, uma inclinação contrária à vitória.

Em uma palestra na Universidade da Virgínia, Lewis Feuer, discípulo de Freud, identificou essa tendência como “guerra reprimida”. O indivíduo percebe a necessidade de lutar, mas reprime a ideia de adotar as medidas necessárias para vencer. Então projeta essa necessidade em uma direção oblíqua, combatendo de maneiras que não foram concebidas para vencer — e segue fracassando.

O filósofo americano James Burnham havia analisado isso como resultado da culpa liberal diante do poder do Ocidente. Feuer aprofundou a análise e a descreveu como resultado da paixão dos movimentos radicais, sobretudo os juvenis, pela agressão contra o Ocidente. A agressão da esquerda se acopla à culpa liberal: os ataques retóricos da esquerda ao Ocidente induzem a culpa liberal; a culpa liberal dá à esquerda o poder de efetivamente enfraquecer o Ocidente.

O tabu contra vencer pela guerra tem como lema “No boots on the ground”. Já foi usado na guerra do Kosovo, que o Ocidente quase perdeu por se limitar ao ar. Foi repetido muitas vezes desde então, minando guerras e produzindo novas derrotas. A derrota não é enfrentada com o abandono do tabu ruinoso, mas com o acréscimo de novos tabus a ele, como “no forever wars”, o que leva a mais derrotas. Comentaristas e analistas aplicam o rótulo de “forever war” a guerras cada vez mais curtas; a esta altura, isso significa “no wars lasting more than a few weeks”. Perde-se no debate a ironia de que cessar-fogos constantes produzem guerras que podem durar para sempre.

A pseudoguerra eleva os custos e joga equipamento no ralo. É por isso que o Pentágono fica sem munições e por isso que um conflito prolongado, em regime de liga-desliga, põe em risco aliados em toda parte: na Ucrânia e na Polônia, em Taiwan e na Coreia, e mesmo no próprio Oriente Médio.

Se o presidente Donald Trump tivesse se imposto à sua ala isolacionista e travado uma guerra de verdade, ela teria terminado há muito tempo, a um custo menor, com uma vitória clara — uma mudança fundamental de regime. A economia global estaria melhor. Em vez disso, ele hesitou, cedendo ao vice-presidente JD Vance sempre que parecia perto de vencer. O resultado: na maior parte do tempo, tem perdido.

Trump ainda poderia decidir vencer a guerra, embora isso significasse desafiar uma aliança de adversários dos dois extremos do espectro. Essa aliança colocou Trump diante de uma escolha em que perde de qualquer jeito: lutar para sempre apenas pelo ar e perder assim mesmo, ou declarar a paz e voltar para casa derrotado. Ao jogar pelas regras deles, Trump vem perdendo há um ano, interrompendo repetidamente o impulso americano rumo à vitória em nome da negociação de acordos e arrancando a derrota das garras da vitória ao dar ao regime iraniano tempo para se reagrupar e se rearmar.

Vencer será mais caro hoje do que teria sido antes, mas será muito menos caro do que qualquer resultado aquém da vitória.

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