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Dhimmitude Project

Cidadãos só no papel: a minoria hindu que desaparece no Paquistão

Oito décadas de apagamento sob uma nova dimitude, a condição de subordinação imposta aos não muçulmanos sob domínio islâmico

Imran Khurshid, Ph.D., é pesquisador associado do International Centre for Peace Studies (Centro Internacional de Estudos da Paz), em Nova Déli, na Índia.

Ruins of Tilla Jogian, an ancient Hindu monastery in Jhelum District that served Nath Jogi ascetics for nearly 2,000 years before being abandoned during Partition in 1947. Today it stands in disrepair, a symbol of Pakistan's fading Hindu heritage.
Ruínas de Tilla Jogian, antigo mosteiro hindu no distrito de Jhelum que abrigou ascetas Nath Jogi por quase 2.000 anos antes de ser abandonado durante a Partição, em 1947. Hoje o local está em ruínas, símbolo do patrimônio hindu que se esvai no Paquistão. · (Shutterstock)

Em resumo

Este artigo examina como a minoria hindu do Paquistão vem sendo marginalizada de forma contínua desde a criação do país, em 1947. Antes da Partição, os hindus representavam cerca de 13,5% a 15% da população no território que hoje é o Paquistão. Segundo o censo paquistanês de 2023, os hindus correspondem atualmente a apenas 1,61% da população do país. Embora boa parte do declínio demográfico inicial tenha decorrido da Partição, este artigo sustenta que a experiência da comunidade hindu remanescente ao longo das últimas oito décadas revela um padrão mais amplo de discriminação institucional e exclusão social, que reforçou a insegurança e estimulou a emigração contínua. O artigo examina a discriminação constitucional e legal, as conversões e os casamentos forçados de meninas hindus, a expropriação de terras, a discriminação no emprego, os ataques a templos, o acesso inadequado à justiça e a proteção limitada concedida às minorias religiosas. Além disso, examina a erosão gradual da identidade hindu no Paquistão, por meio do abandono e da destruição do patrimônio religioso, da mudança de nome, após a Partição, de inúmeras localidades e ruas associadas às comunidades hindu, sikh e jainista, e da perda de visibilidade do passado pluralista do país anterior à Partição. Por fim, avalia a atuação internacional do Paquistão em defesa dos direitos das minorias à luz das condições documentadas enfrentadas por sua própria minoria hindu.

Com base em dados censitários, registros oficiais do governo paquistanês, relatórios de organizações internacionais de direitos humanos, pesquisas acadêmicas e estudos de caso documentados, o artigo usa a neo-dhimmitude como quadro analítico para examinar se padrões historicamente associados à subordinação religiosa — como status desigual, vulnerabilidade religiosa, coerção, restrições à vida religiosa e erosão da identidade comunitária — reapareceram sob formas contemporâneas no Paquistão.

A dhimmitude histórica e o surgimento da neo-dhimmitude

A condição da minoria hindu do Paquistão reflete uma longa e complexa história de marginalização religiosa, discriminação e exclusão social. Historicamente, a dhimmitude designava o estatuto jurídico e social das comunidades não muçulmanas protegidas sob domínio islâmico, mas colocadas em posição subordinada. Bat Ye’or, escritora conhecida por seu trabalho sobre as experiências históricas de judeus e cristãos sob domínio muçulmano, documenta, em The Dhimmi: Jews and Christians Under Islam, as restrições impostas, em diferentes épocas e lugares, a judeus e cristãos, inclusive limitações relativas a instituições religiosas, vida pública, tributação, emprego e condição política. [1] Em obra posterior, The Decline of Eastern Christianity Under Islam: From Jihad to Dhimmitude, ela examina as experiências de comunidades cristãs em todo o Oriente Médio e na Anatólia, incluindo episódios de discriminação, perseguição, conversão forçada, deslocamento e restrições à vida religiosa cristã. [2]

O conceito histórico, contudo, exige uma ressalva importante no contexto paquistanês. Os hindus não foram historicamente classificados como dhimmis exatamente da mesma maneira que judeus e cristãos, cujo estatuto de protegidos ocupou lugar mais consolidado na jurisprudência islâmica clássica. A condição dos hindus e de outras comunidades não abraâmicas variou conforme as sociedades governadas por muçulmanos e os períodos históricos. Anver M. Emon, professor de direito e titular da Cátedra de Pesquisa do Canadá (Canada Research Chair) em Direito e História Islâmicos na Universidade de Toronto, demonstra, em Religious Pluralism and Islamic Law: Dhimmis and Others in the Empire of Law, que a própria dhimma histórica era um arcabouço jurídico complexo, cuja aplicação variava segundo o tempo, o lugar, as circunstâncias políticas e a interpretação. [3]

O conceito de neo-dhimmitude, portanto, não sugere que o Paquistão tenha simplesmente reproduzido o sistema medieval da dhimma. A questão não é se os hindus são tecnicamente dhimmis, mas se vivenciam um status religioso desigual por meio de restrições constitucionais, oportunidades políticas e econômicas limitadas, segregação ocupacional, restrições a instituições religiosas, conversões forçadas, vulnerabilidade a acusações de blasfêmia e proteção estatal insuficiente. A comparação feita neste artigo é, assim, estrutural, e não histórica ou jurídica: não se afirma que os hindus do Paquistão ocupem o mesmo estatuto legal dos dhimmis clássicos, mas que certos padrões de desigualdade religiosa, vulnerabilidade, discriminação e subordinação institucional guardam semelhanças analíticas com condições historicamente associadas à dhimmitude. A neo-dhimmitude é empregada, portanto, como quadro para examinar como a cidadania formal pode coexistir com a desigualdade religiosa substantiva e como fatores jurídicos, sociais, ideológicos e institucionais podem se combinar para reproduzir padrões de subordinação de minorias em um Estado moderno.

Esses padrões também se refletem na posição demográfica e social das minorias religiosas do Paquistão. As minorias no Paquistão, sobretudo hindus, sikhs e outras, enfrentam graves violações de direitos humanos e condições duras. À época da Partição da Índia, em 1947, os hindus representavam aproximadamente 15% a 17% da população nos territórios que hoje formam o Paquistão. Segundo o censo paquistanês de 2023, os hindus constituem hoje cerca de 1,61% da população do país, somando aproximadamente 3,87 milhões de pessoas, o que reflete um declínio drástico em relação à sua presença demográfica anterior à Partição. [4] Embora essa mudança demográfica tenha sido parcialmente moldada pela migração em larga escala durante a Partição, a marginalização contínua e a queda de sua proporção ao longo das décadas refletem a discriminação, a insegurança e os desafios enfrentados pela comunidade.

Diante desse pano de fundo, este artigo examina a condição das minorias religiosas no Paquistão, com foco particular na comunidade hindu, e explora os fatores políticos, constitucionais, sociais e ideológicos que contribuíram para sua marginalização desde a Partição. Utiliza a neo-dhimmitude como quadro analítico para avaliar a experiência contemporânea da minoria hindu do Paquistão e em que medida padrões históricos de subordinação religiosa reapareceram sob formas modernas.

A morte de Jinnah e os primeiros sinais de intolerância sectária

Após a criação do Paquistão com base na Teoria das Duas Nações, o pai fundador do país, Muhammad Ali Jinnah, declarou que todos seriam livres para professar, praticar e propagar sua própria religião e para viver conforme seus próprios desejos. [5] Em seu histórico discurso à Assembleia Constituinte, em 11 de agosto de 1947, Jinnah proclamou: “Vocês são livres; são livres para ir a seus templos. São livres para ir a suas mesquitas ou a quaisquer outros locais de culto neste Estado do Paquistão”, acrescentando: “Cada um de vocês, não importa sua cor ou credo, é, em primeiro, em segundo e em último lugar, um cidadão do Estado, com direitos, privilégios e obrigações iguais”. Jinnah chegou a declarar: “Vocês verão que, com o tempo, os hindus deixarão de ser hindus e os muçulmanos deixarão de ser muçulmanos, não no sentido religioso, porque essa é a fé pessoal de cada indivíduo, mas no sentido político, como cidadãos do Estado”. [6]

No entanto, ocorreu o oposto. Em vez de construir essa visão de cidadania igualitária, sucessivos governos codificaram a discriminação religiosa diretamente na Constituição, deixando de tratar as minorias religiosas em pé de igualdade e submetendo-as a uma discriminação persistente.

Além disso, essa contradição tornou-se visível imediatamente após a morte de Jinnah, em 11 de setembro de 1948. Embora tenha nascido em uma família xiita ismaelita e posteriormente seguido práticas xiitas duodecimanas — o que exigiu uma oração fúnebre xiita privada (Namaz-e-Janaza) conduzida pelo clérigo Syed Anis al-Husayni em sua residência oficial —, seu funeral público de Estado foi realizado segundo as tradições sunitas, sob a condução do proeminente estudioso da escola deobandi Maulana Shabbir Ahmad Usmani. Para garantir seu espólio sob as leis sucessórias xiitas, mais flexíveis, sua irmã Fatima Jinnah e o primeiro-ministro Liaquat Ali Khan apresentaram uma declaração conjunta afirmando que ele era xiita. [7] Essa dupla identidade imposta ao próprio Jinnah — um chefe de Estado, nada menos — refletia a pressão imediata para se conformar ao sectarismo sunita majoritário, expondo a profunda intolerância e as contradições estruturais presentes na fundação do Paquistão.

Para além dessas contradições iniciais, a marginalização das minorias religiosas foi gradualmente se incrustando nas estruturas sociais, políticas e institucionais do próprio Estado paquistanês. Por causa das violações de direitos humanos que sofrem, minorias religiosas como os hindus foram reduzidas à condição de cidadãos de segunda classe, com a vida piorada e muitos direitos básicos negados na prática. Elas são sistematicamente discriminadas em todas as esferas da vida, inclusive moradia, emprego, acesso a programas sociais do governo e gozo igualitário de direitos fundamentais. Essa discriminação sistemática é particularmente evidente na esfera do emprego público, em que instituições estatais há muito reforçam a segregação ocupacional por motivos religiosos. Sob diretrizes explícitas de recrutamento municipal e políticas trabalhistas de longa data — refletidas em anúncios oficiais publicados pelos Pakistan Rangers, por hospitais públicos e por prefeituras —, as vagas de limpeza manual de esgoto e saneamento vêm sendo rotineiramente reservadas exclusivamente a “apenas não muçulmanos”, relegando muitos deles às ocupações mais degradantes. [8] Hindus e outras minorias enfrentam opressão sistêmica, obstáculos legais, injustiça administrativa e muitas outras formas de discriminação, inclusive a exclusão da assistência estatal distribuída pelo fundo do Zakat, que legalmente exclui beneficiários não muçulmanos. [9] Mesmo quando denunciam casos de opressão, muitas vezes não obtêm justiça e, em vez disso, enfrentam novos obstáculos legais e administrativos.

Por exemplo, a Constituição do Paquistão garante teoricamente a liberdade religiosa a todos os seus cidadãos, nos artigos 20 a 22. No entanto, as Ordenanças Hudood (Hudood Ordinances) de 1979, a Ordenança XX de 1984 e outras leis introduzidas sob o regime militar do general Zia-ul-Haq impuseram normas e preceitos constitucionais que negam igual proteção e liberdade religiosa aos não muçulmanos. [10] Além disso, o artigo 41(2) da Constituição do Paquistão afirma explicitamente que apenas um muçulmano pode se tornar presidente do país, e os ocupantes de determinados altos cargos públicos devem prestar um juramento que invoca princípios islâmicos, o que reflete a discriminação estatal institucionalizada contra as minorias religiosas e reforça o estatuto constitucional privilegiado do islã. [11]

Há todo um ecossistema que sustenta isso. Ele inclui instituições administrativas, o Judiciário e setores da sociedade, tornando extremamente difícil que hindus e outras minorias religiosas desfrutem de direitos iguais, assegurem status igual ou obtenham justiça.

O apagamento do patrimônio hindu e a marginalização cultural

A marginalização e a exploração dos hindus se estendem também ao seu patrimônio. Seus locais de culto, incluindo templos, gurdwaras e outros sítios sagrados e históricos, sofreram destruição e abandono prolongado. Embora estimativas regionais informais sugiram que milhares de locais de culto locais existiram historicamente no território que hoje é o Paquistão, um levantamento de 2014 do All Pakistan Hindu Rights Movement (PHRM) constatou que, dos 428 locais de culto históricos de minorias formalmente registrados à época da Partição, impressionantes 408 haviam sido convertidos para uso comercial, residencial ou governamental, restando apenas 20 em funcionamento. [12] Hoje, apenas um pequeno número de templos e outros locais de culto permanece, o que reflete a destruição generalizada do patrimônio religioso e o apagamento sistemático da identidade hindu do Paquistão.

Mesmo os que restam frequentemente se encontram em más condições. Muitos caíram em ruínas, com paredes degradadas, pisos esfarelados e estruturas devastadas. Um relatório contundente de uma comissão unipessoal nomeada pela Suprema Corte e chefiada pelo dr. Shoaib Suddle confirmou oficialmente que, dos 365 templos teoricamente sob controle do Evacuee Trust Property Board (ETPB), o órgão estatal havia abandonado por completo 287 deles às máfias de terras, administrando ativamente apenas 13 sítios em funcionamento. [13] Há relatos de que alguns desses locais foram deliberadamente deixados em tal estado que desabam naturalmente com o tempo e acabam destruídos. Marcos antigos de destaque, como o templo Sri Narasimha, em Prahladpuri (Multan), e o histórico Templo do Sol de Aditya, encontram-se em absoluta decadência estrutural, enquanto a persistente omissão administrativa do Estado em remover ocupações ilegais permite que a ação do tempo e o abandono apaguem silenciosamente os vestígios arquitetônicos do patrimônio pluralista da região anterior à Partição. [14]

Ataques repetidos atingiram templos, locais de peregrinação, outros espaços religiosos e líderes religiosos. O governo pouco fez para impedir esses ataques ou para proteger esses locais sagrados e as pessoas a eles ligadas. É importante compreender que o patrimônio cultural e religioso constitui parte essencial da identidade de qualquer comunidade religiosa. Se esse patrimônio é destruído, ninguém pode alegar genuinamente que os direitos dessa comunidade estão sendo protegidos.

Muitos exemplos demonstram a extensão do desrespeito demonstrado em relação a essas instituições religiosas minoritárias. Esse desrespeito pode ser medido pelo fato de que vários templos e outros locais de culto foram convertidos em instalações públicas como banheiros. Em Lahore, por exemplo, o antigo templo Basuli Hanuman foi chocantemente reaproveitado e profanado, transformado em banheiro público, o que provocou enorme indignação. De modo semelhante, as ruínas que cercam o histórico templo de Prahladpuri, em Multan, têm sido frequentemente usadas pela população vizinha como lixão a céu aberto e banheiro público. Além disso, recentemente, em julho de 2026, o histórico gurdwara Sri Guru Singh Sabha Sahib, em Farooqabad, com 125 anos, foi alvo de ação ilegal e completamente demolido por um empresário local, expondo o contínuo fracasso do Estado em salvaguardar seu patrimônio civilizacional não muçulmano. [15]

Da mesma forma, em julho de 2020, radicais destruíram o muro parcialmente erguido do que seria o Shri Krishna Mandir — o primeiro complexo de templo hindu de Islamabad. Casos semelhantes incluem multidões que incendiaram o histórico templo Mata Rani Bhatiyani, no Sindh, e atacaram a marretadas o templo centenário Shri Paramhans Ji Maharaj Samadhi, em Karak. Em uma sociedade na qual setores da população consideram a destruição dessas instituições um dever moral, uma narrativa ideológica que instrumentaliza a religião pode alimentar ainda mais tais ações, enquanto a pressão pública repetidamente força a máquina administrativa a capitular diante de exigências extremistas. [16]

O Paquistão de fato abriu o Corredor de Kartarpur em 2019, uma rota de peregrinação sem necessidade de visto que liga Dera Baba Nanak, no Punjab indiano, ao Gurdwara Darbar Sahib Kartarpur, no distrito paquistanês de Narowal. O corredor foi inaugurado por ocasião do 550º aniversário de nascimento de Guru Nanak Dev Ji e permite que peregrinos sikhs da Índia e do mundo inteiro visitem um dos locais mais sagrados do siquismo, onde Guru Nanak Dev Ji passou os últimos anos de sua vida. [17] Mesmo após períodos de fechamento devido às tensões entre Índia e Paquistão e à pandemia de COVID-19, o Paquistão manteve e promoveu o corredor. Isso, contudo, não isenta o Estado paquistanês da responsabilidade pela destruição de um grande número de locais de culto hindus, incluindo templos, gurdwaras e outros sítios religiosos. Muitos grupos de direitos humanos e organizações internacionais também criticaram o Paquistão por não garantir a segurança e a preservação desses locais religiosos e de outras instituições minoritárias.

Além disso, numa aparente tentativa de apagar sua identidade religiosa e cultural, o Paquistão mudou o nome de muitos sítios religiosos hindus. Quem observa os nomes dos lugares hoje dificilmente encontra algum que reflita o patrimônio hindu, o que indica uma remoção sistemática dessa identidade. Recentemente, houve uma proposta do governo provincial do Punjab — impulsionada pela iniciativa Lahore Heritage Areas Revival (LHAR), sob Maryam Nawaz — para restaurar alguns desses nomes originais anteriores à Partição. No entanto, após forte reação de elementos extremistas, grupos conservadores e vlogueiros de direita nas redes sociais, que acusaram o Estado de promover a cultura hindu, a proposta foi inteiramente adiada e retirada, refletindo mais uma vez a mentalidade predominante em setores da sociedade. [18]

Todo um sistema sustenta isso. Embora a Constituição ofereça salvaguardas às minorias, a aplicação deficiente continua a esvaziá-las. Além disso, os juízes muitas vezes têm dificuldade em decidir de forma independente por causa da pressão e da intimidação que enfrentam.

As leis de blasfêmia e a vulnerabilidade sistêmica das minorias religiosas

As leis de blasfêmia e outros dispositivos legais do Paquistão são amplamente vistos como discriminatórios em relação às minorias religiosas. Essas leis são com frequência usadas de modo abusivo para perseguir indivíduos sob o pretexto de que teriam empregado linguagem ofensiva ou depreciativa contra o islã ou contra o profeta Muhammad (PBUH). No entanto, em muitos casos, disputas pessoais, conflitos de propriedade, rivalidades comerciais, inimizade ou preconceito religioso motivaram as acusações, que depois se revelam falsas.

Por exemplo, em setembro de 2019, uma multidão violenta na cidade de Ghotki, no Sindh, atacou três templos hindus — entre eles o Sacho Satram Das Mandir —, várias lojas e a Sindh Public School depois que um aluno muçulmano acusou o diretor hindu, Notan Lal, de fazer comentários blasfemos sobre o profeta Maomé. Investigações locais e relatórios de direitos humanos revelaram mais tarde que as acusações foram fortemente amplificadas por facções extremistas para acertar contas em disputas econômicas locais, mas os mecanismos institucionais capitularam de imediato diante da multidão, o que levou à rápida detenção do diretor com base na Seção 295-C, enquanto os responsáveis pela profanação dos templos não enfrentaram nenhuma responsabilização legal relevante. [19]

As disposições sobre blasfêmia do Código Penal do Paquistão (Seções 295-B, 295-C e 298-A a 298-C) preveem punições severas para supostas ofensas ao profeta Maomé ou para a profanação do Alcorão. [20] As penas vão de três anos de prisão e multa à prisão perpétua e até à pena de morte. A simples existência dessas leis gera medo entre as minorias religiosas. Como o padrão de prova exigido é estruturalmente baixo e as leis não preveem punição para acusações falsas, elas funcionam como armas legais que expõem não muçulmanos à prisão imediata pelo Estado e à violência extrajudicial nas ruas com base em declarações banais e não verificadas.

Acusações de blasfêmia frequentemente desencadeiam linchamentos. Quando se espalham boatos contra um integrante de uma minoria religiosa, essa pessoa muitas vezes é atacada ou linchada antes que qualquer processo judicial possa ocorrer. Um exemplo notório é o linchamento, em 3 de dezembro de 2021, de Priyantha Kumara, cidadão cingalês budista de 48 anos que trabalhava havia 11 anos no Paquistão como gerente-geral da Rajco Industries, uma fábrica de artigos esportivos e confecções em Sialkot, no Punjab. Kumara foi brutalmente torturado, espancado até a morte e teve o corpo queimado publicamente na Wazirabad Road por uma multidão de centenas de pessoas, depois de ser falsamente acusado de blasfêmia por retirar adesivos religiosos de uma parede antes de uma limpeza e pintura de rotina na fábrica. [21] Em situações assim, muitas vezes há pouco recurso efetivo ao Judiciário ou a outras instituições estatais, já que juízes, advogados e outros profissionais também podem temer virar alvos se decidirem em favor do acusado.

Nem mesmo seitas muçulmanas menores estão a salvo no Paquistão, o que reflete a amplitude do problema. A comunidade Ahmadiyya, por exemplo, declarada não muçulmana pela lei paquistanesa, também sofreu violência, discriminação e perseguição sob essas leis de blasfêmia. A repressão institucionalizada se agravou a ponto de o próprio aparato estatal passar a auxiliar ativamente na perseguição; no início de 2025, a Polícia do Punjab invadiu e demoliu sistematicamente os minaretes e mihrabs históricos de locais de culto ahmadis com 120 anos de idade em áreas como Hamraj Pura e Kot Rehmat Khan, para satisfazer clérigos linha-dura locais. [22]

Esses casos também ilustram as devastadoras consequências humanas das leis de blasfêmia do Paquistão, sob as quais muitas pessoas perderam a vida ou permaneceram presas após acusações. Só em 2019, ao menos 84 pessoas foram formalmente encarceradas em diferentes unidades prisionais sob acusação de blasfêmia, e pelo menos 29 delas haviam recebido sentenças de morte de tribunais de primeira instância, segundo dados documentados no relatório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos EUA. [23]

Além disso, se examinarmos a representação dos hindus no Legislativo nacional do Paquistão, ela permanece extremamente limitada. Embora as minorias religiosas tenham assentos reservados — especificamente 10 das 336 cadeiras da Assembleia Nacional —, seus representantes em geral são indicados pelos grandes partidos por meio de um sistema de listas de representação proporcional, e não eleitos diretamente por eleitorados minoritários, o que restringe sua voz política independente. Da mesma forma, sua representação na alta administração civil, no Judiciário, na polícia e nas Forças Armadas também é mínima. Mesmo onde existe uma cota de 5% para minorias no emprego público, milhares de vagas seguem ociosas em órgãos federais e provinciais, enquanto grande parte dos servidores de minorias se concentra nos cargos de menor remuneração, como os de limpeza urbana e vagas de limpeza manual de esgoto e saneamento, dos níveis 1 a 4. Eles enfrentam discriminação sistêmica que limita sua contratação e sua ascensão. Além das barreiras institucionais, também se deparam com discriminação social, que restringe ainda mais suas oportunidades.

Além disso, desde o nascimento, uma criança hindu enfrenta diversas formas de discriminação, que vão do acesso a serviços de assistência à infância e à educação até as oportunidades de emprego na vida adulta. Essas desigualdades a colocam em desvantagem desde o início, dificultando que compita em condições de igualdade na sociedade. Elas partem de uma posição estruturalmente frágil, o que em si constitui uma forma grave de discriminação.

Mesmo quando há oportunidades, com frequência lhes falta o apoio social, econômico e institucional necessário para competir de forma justa. A marginalização sistemática deixou muitos vivendo sob medo e insegurança constantes. Suas condições de vida frequentemente são péssimas. Isso fica evidente em muitas localidades hindus, onde condições habitacionais precárias seguem comuns. Em distritos rurais como Tharparkar — que concentra enorme parcela da população hindu do Paquistão —, a ausência de infraestrutura pública básica é gritante; mais de 90% da água subterrânea local é salobra, altamente salina e imprópria para consumo humano segundo os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS). [24] Muitos também não têm acesso a necessidades básicas como água potável segura, saúde, saneamento e outros serviços públicos essenciais.

A política de transformar hindus em “os outros” e as narrativas anti-hindus

Há um sistema que perpetua essa discriminação, envolvendo diversas instituições e a própria sociedade. O sentimento anti-hindu cultivado pelo establishment militar paquistanês desde a criação do país ajudou-o a manter sua influência e seu poder. Transformar hindus em “os outros” tornou-se um projeto estratégico do establishment militar paquistanês, com o sentimento anti-hindu servindo como fator de unificação.

Esse sentimento se disseminou por instituições e pela sociedade por meio da educação e da socialização, com sucessivos governos e instituições reforçando-o ao longo do tempo. Recentemente, por exemplo, o chefe do Exército, general Asim Munir, invocou explicitamente essa narrativa ao afirmar que muçulmanos e hindus permanecem distintos em sua religião, seus costumes e suas ambições. Como o Paquistão foi criado com base na Teoria das Duas Nações — segundo a qual hindus e muçulmanos são nações distintas que não podem conviver —, as atitudes anti-hindus se incrustaram profundamente nos fundamentos ideológicos do Estado paquistanês. [25]

Além disso, o sentimento anti-hindu muitas vezes se converteu em sentimento anti-Índia, e vice-versa. Desde sua origem, a identidade nacional do Paquistão foi definida em grande medida em oposição à Índia, o que fez da hostilidade aos hindus um traço recorrente de sua narrativa política. Os militares paquistaneses recorreram sistematicamente a essa narrativa desde 1947, usando-a para fortalecer sua legitimidade na sociedade. Os hindus no Paquistão também carregam o fardo adicional de serem associados à Índia, percebida como a principal adversária do país. Isso intensifica ainda mais o preconceito contra eles e reforça narrativas que alimentam a radicalização contra a Índia.

Essa mentalidade também se refletiu em uma declaração recente do presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari. Referindo-se à minoria hindu do país, ele afirmou: “Nós somos muçulmanos. Eles não são. Mas somos muçulmanos com a mentalidade de tolerar uma população hindu de 3% a 4%. Eles são tão livres, estão tão bem quanto em qualquer outro lugar onde já estiveram. [26] Eles preferem estar conosco a estar com eles.” Essa linguagem é significativa porque descrever os hindus como uma população que os muçulmanos “toleram” coloca a maioria na posição de permitir ou suportar a presença da minoria, em vez de reconhecê-la simplesmente como cidadãos iguais.

Além disso, segundo muitos críticos, o nexo entre militares e mulás sustentou narrativas pan-islâmicas, incluindo referências ao Ghazwa-e-Hind por parte de alguns grupos extremistas e clérigos. Nessas narrativas, grupos e redes extremistas retratam a Índia como a principal adversária em seus sermões e em sua literatura, incluindo apelos simbólicos para hastear sua bandeira no topo do Lal Qila, em Déli. Dentro desses marcos, o sentimento anti-hindu serve como instrumento para reforçar a polarização religiosa, marginalizar comunidades minoritárias e sustentar narrativas extremistas. [27]

Educação, doutrinação ideológica e a normalização do ódio

O sistema educacional do Paquistão perpetua o ódio aos hindus. Desde o início, quando nasce e começa seu processo de socialização, a criança é exposta a narrativas e atitudes que contribuem para a construção dos hindus como “os outros”. Há, portanto, um processo constante de tratar hindus como “os outros” desde tenra idade. Livros de história e de outras disciplinas apresentam o conteúdo de modo a reforçar repetidamente o ódio aos hindus.

Trechos de livros didáticos ilustram esse viés — como uma lição de urdu da 5ª série que afirma: “O hindu sempre foi inimigo do islã”, e um texto de estudos sociais da 4ª série que declara: “A religião dos hindus não lhes ensinou coisas boas”. [28] Observadores internacionais de direitos humanos documentaram consistentemente essas narrativas, destacando como os currículos estatais rotineiramente retratam a cultura hindu como intrinsecamente opressiva e hostil. Há muitos outros exemplos semelhantes em que os hindus aparecem repetidamente como vilões e como pessoas a quem é preciso dar uma lição.

Figuras históricas que invadiram a Índia, saquearam suas riquezas e destruíram seus templos, por exemplo, são celebradas como heróis no Paquistão. Muhammad Ghori, que atacou a Índia e saqueou suas riquezas, é celebrado como herói. Da mesma forma, Mahmud de Gázni, que atacou e saqueou o famoso templo de Somnath, também é celebrado como herói. [29] Assim, muitos personagens vistos na Índia como invasores responsáveis por pilhar as riquezas do país, destruir seu patrimônio cultural e atacar suas cidades são, no Paquistão, glorificados. Esse revisionismo se estende aos textos de história contemporânea, que reduzem sistematicamente a diversa identidade histórica da região a um binarismo de conflito religioso, garantindo que essas figuras apareçam exclusivamente como campeões da fé, e não como conquistadores políticos.

O Paquistão também batizou alguns de seus sistemas de armas, inclusive mísseis, com o nome desses invasores históricos. Por exemplo, seu arsenal de mísseis balísticos estratégicos inclui as séries Ghauri, Ghaznavi e Abdali, nomeadas especificamente para homenagear Muhammad de Ghor, Mahmud de Gázni e Ahmad Shah Abdali, perpetuando assim uma hostilidade psicológica permanente contra a Índia. [30] Nesse ambiente educacional, as crianças crescem com tais narrativas, que alimentam a intolerância e o sentimento anti-Índia. Se alguém fizer uma análise objetiva dos livros escolares paquistaneses, fica mais fácil entender por que essas atitudes se desenvolveram.

Rajiv Thakur, coordenador da Seva Welfare Trust Pakistan, afirma nesse contexto: “Quando você promove o ódio nas escolas, o resultado é criar ódio em nível social. Então esse tipo de mentalidade acaba permeando toda a sociedade.” [31]

A complexidade da situação no Paquistão pode ser ilustrada por outro exemplo. Um vídeo no TikTok mostrava um menino de cerca de quatro ou cinco anos advertindo o primeiro-ministro Imran Khan de que, se ele permitisse a construção do templo de Islamabad, mataria um hindu, pois acreditava ser seu dever. Uma criança ainda menor comemorava ao fundo, enquanto o pai entrava em quadro sorrindo e repetia as ameaças do filho contra os hindus paquistaneses. O episódio mostra como o ódio anti-hindu pode se enraizar profundamente e se normalizar em setores da sociedade, transmitindo-se entre gerações pela família e pela socialização. [32] Em vez de desestimular tal comportamento, o pai o reforçou abertamente, levando a criança a crer que o ódio e até a violência contra hindus eram moral e religiosamente justificados. Nesse ambiente, tais atitudes se normalizam desde cedo, deixando pouco espaço para contestá-las ou corrigi-las e perpetuando a intolerância ao longo das gerações.

Em segundo lugar, há uma vasta rede de madrassas que, segundo muitos críticos, promove a radicalização e o sentimento anti-Índia. É nelas que a doutrinação ideológica muitas vezes se completa. Por meio de interpretações seletivas dos textos islâmicos, alguns elementos extremistas pregam a violência e a jihad para avançar seus objetivos. O Paquistão tem quase 40.000 madrassas e, em algumas áreas, elas superam em número as escolas públicas, sobretudo no sul do Punjab e na província de Khyber Pakhtunkhwa. [33]

Segundo esses críticos, os ensinamentos religiosos são manipulados para radicalizar os estudantes, e algumas madrassas funcionam como centros de doutrinação contra hindus, cristãos, judeus e outras minorias religiosas. Clérigos religiosos também desempenham papel influente nesse processo. Eles usam linguagem emocional, glorificam a violência e falam das recompensas do além, convencendo seguidores de que a felicidade suprema está lá e, em algumas narrativas extremistas, retratando a violência contra hindus como um dever religioso.

Figuras ligadas ao terrorismo também contribuíram para esse ambiente. Por exemplo, segundo o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos EUA, Hafiz Saeed, fundador do Lashkar-e-Taiba, ameaçou publicamente judeus e hindus e conclamou à guerra santa contra eles durante um grande comício em Lahore. [34] Declarações assim, amplamente difundidas por redes organizacionais como a Jamaat-ud-Dawa, ajudam a normalizar o ódio, levando muitas pessoas a acreditar que a discriminação contra minorias é moralmente justificada.

A normalização tem forte efeito sobre as instituições e sobre a própria sociedade. Quem discrimina ou pratica violência contra hindus muitas vezes considera suas ações um comportamento normal e não acredita estar fazendo nada errado. Ao contrário, sente que seus atos têm sanção religiosa e legitimidade moral. Essas narrativas, propagadas por clérigos extremistas e reforçadas pela socialização, se manifestam em discriminação e violência. Com o tempo, esses fatores se combinam para criar um sistema de valores sociais excludente, que normaliza o ódio aos hindus e faz com que tal comportamento pareça socialmente aceitável.

Vulnerabilidade sistêmica de mulheres e meninas hindus no Paquistão

Além disso, hindus também sofrem opressão sistêmica por meio de casamentos forçados e conversões religiosas. Muitas mulheres e meninas teriam sido sequestradas, convertidas à força e casadas contra a vontade. Sua condição socioeconômica vulnerável as torna alvos fáceis de exploração. Inúmeros casos relatados mostram como jovens hindus foram sequestradas e casadas à força, com algumas também sofrendo exploração sexual.

Cerca de 1.000 meninas hindus e cristãs no Paquistão seriam sequestradas e convertidas ao islã todos os anos. Em muitos casos, a violência sexual e o estupro são usados como instrumentos de poder e dominação. [35] Várias ONGs internacionais documentaram tais casos e chamaram atenção para os casamentos forçados dessas meninas. Pobreza, vulnerabilidade social e preconceito religioso aumentam ainda mais os riscos enfrentados por muitas famílias hindus.

Segundo relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Paquistão (NCHR), esses casos não representam incidentes isolados, mas integram um padrão recorrente em que os agressores coagem meninas hindus vulneráveis a abraçar o islã e a se casar com homens muçulmanos sem seu consentimento livre e informado. O relatório observa ainda que a maioria das vítimas são jovens hindus de áreas rurais do Sindh e do sul do Punjab, onde a pobreza, a exclusão social e o acesso limitado à educação as tornam particularmente vulneráveis.

O relatório aponta o “aliciamento sexual de motivação ideológica” como um dos principais fatores por trás desses casos. Os agressores escolhem deliberadamente meninas vulneráveis, que enfrentam pobreza, instabilidade familiar ou discriminação social, valendo-se de manipulação emocional, falsas promessas de proteção ou declarações de amor. [36]

Essa Comissão manifestou séria preocupação com o padrão crescente de “conversão forçada por meio do casamento” (FCM). Além disso, quando pais ou outros familiares procuram a polícia para registrar queixa, os casos muitas vezes não são registrados. Em muitas situações, tais conversões e casamentos chegam a ser celebrados por setores da sociedade. [37]

Quando as vítimas buscam justiça, as autoridades policiais costumam dar peso significativo a certificados de conversão e nikahnamas, o que pode levar as autoridades a perdoar ou proteger os supostos sequestradores. Em muitos casos, autoridades e terceiros retratam os episódios como “casamentos por amor”, permitindo que os agressores escapem da responsabilização. [38] Houve também casos em que clérigos religiosos emitiram decisões favoráveis à devolução das meninas aos próprios indivíduos acusados de sequestrá-las ou violentá-las sexualmente.

Por exemplo, em fevereiro de 2023, Meena Bhatt, uma menina hindu de 14 anos, teria sido sequestrada por Syed Salim Shah, Mukhtiyar Shah, Aziz Rehman e outros. Seu pai, um trabalhador pobre, registrou um boletim de ocorrência (First Information Report, FIR) na polícia por sequestro. Como a Lei de Restrição ao Casamento Infantil de Sindh proíbe o casamento de menores de 18 anos, o tribunal ordenou um exame para determinar a idade. Embora a família tenha apresentado registros escolares que indicavam explicitamente que Meena nasceu em 1º de janeiro de 2009, o tribunal não se convenceu. [39] A junta médica nomeada pelo tribunal estimou sua idade entre 17 e 18 anos, desconsiderando a documentação apresentada. Com base nisso, o tribunal determinou que Meena fosse entregue ao suposto sequestrador.

Cruzamento entre extremismo religioso e exploração feudal

Além disso, sempre que se tenta aprovar leis para enfrentar esses problemas, parcelas da população local costumam resistir. Por exemplo, o governo de Sindh, província onde vive a maior parte da população hindu do Paquistão, tentou duas vezes proibir conversões forçadas e casamentos forçados ao estabelecer diretrizes para o processo judicial por meio do Projeto de Lei de Proteção às Minorias. O texto propunha fixar em 18 anos a idade mínima para conversões religiosas e buscava reforçar o devido processo legal.

Em 2016, o projeto foi aprovado por unanimidade pela Assembleia de Sindh. Partidos religiosos, porém, se opuseram ao limite de idade proposto para conversões e ameaçaram cercar a assembleia caso o texto recebesse a sanção do governador. Como resultado, o governador se recusou a sancionar a lei.

Em 2019, o governo apresentou uma versão revisada do projeto, mas os partidos religiosos voltaram a organizar protestos. Pir Mian Abdul Khaliq (Mian Mithu), líder político e religioso associado a inúmeros casos de suposta conversão forçada de meninas hindus menores de idade em Sindh, liderou um protesto com acampamento. Ele e seus apoiadores argumentaram que as meninas não eram forçadas, mas haviam se convertido voluntariamente ao islã depois de se apaixonarem por homens muçulmanos. [40]

Como afirmaram especialistas das Nações Unidas, “meninas cristãs e hindus continuam particularmente vulneráveis à conversão religiosa forçada, ao sequestro, ao tráfico, ao casamento infantil, precoce e forçado, à servidão doméstica e à violência sexual”. [41]

Especialistas da ONU também instaram enfaticamente as autoridades paquistanesas a adotar medidas eficazes para enfrentar esses problemas. [42]

“As autoridades paquistanesas devem promulgar e aplicar rigorosamente leis que garantam que os casamentos só sejam celebrados com o consentimento livre e pleno dos pretendentes, e que a idade mínima para o casamento seja elevada a 18 anos, inclusive para as meninas”, afirmaram os especialistas, acrescentando que todas as “mulheres e meninas devem ser tratadas sem discriminação, incluindo as pertencentes às comunidades cristã e hindu”.

O Paquistão tem sido criticado por não cumprir integralmente suas obrigações internacionais previstas em tratados como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (ICCPR) e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), que o obrigam a proteger mulheres e meninas não muçulmanas da exploração por grupos poderosos e elementos criminosos. [43]

Além disso, o problema vai além do uso da religião como instrumento contra as minorias; a própria natureza da sociedade também molda como as minorias vivenciam a discriminação e a exploração. O Paquistão mantém uma estrutura social profundamente feudal, e os valores, atitudes e relações de poder associados a esse sistema influenciam significativamente o tratamento dado às comunidades vulneráveis. Muitos hindus trabalham em regime de servidão por dívida para grandes proprietários feudais, que com frequência os exploram e os mantêm presos, por toda a vida, em condições semelhantes à escravidão moderna. Numerosos grupos da sociedade civil e ONGs têm atuado para resgatar essas pessoas. No entanto, dada a estrutura feudal profundamente enraizada da sociedade, muitas vezes é difícil persuadir os detentores do poder local ou obter justiça para as vítimas.

Em muitos casos, atores poderosos também se apropriam à força de suas terras, deixando às vítimas pouco ou nenhum recurso legal para reavê-las. O Paquistão preserva fortes características feudais, e esses valores criam desafios adicionais para as minorias hindus. Quando tais práticas se combinam com o extremismo religioso, geram um ambiente especialmente opressivo para as minorias religiosas.

Por exemplo, uma família descreveu como “toda a família havia decidido se converter ao islã quando Naeem, o clérigo, se ofereceu para libertá-los da servidão por dívida em que estavam presos, vivendo e trabalhando como servos sob contrato por causa de uma dívida não paga. Ali é originalmente da casta Bheel, uma das castas mais baixas do hinduísmo”. [44] O caso ilustra como vulnerabilidade econômica e pressão religiosa podem se cruzar, sobretudo em áreas onde a servidão por dívida e as relações de poder desiguais permanecem profundamente enraizadas.

Instrumentalizar narrativas sobre minorias e ignorar a realidade interna

O Paquistão também promove ampla propaganda sempre que ocorrem incidentes envolvendo questões religiosas fora do país. Com frequência, comenta o tratamento dado a minorias religiosas e a situação de instituições e patrimônios religiosos no exterior, usando tais narrativas para avançar seus objetivos políticos e estratégicos mais amplos. Raramente, porém, reconhece a destruição sistemática do patrimônio cultural e religioso hindu dentro do Paquistão ou as mudanças demográficas que ali ocorreram.

Além disso, essas narrativas podem contribuir para a radicalização interna. Alegações de que muçulmanos estariam sendo maltratados ou de que seu patrimônio religioso estaria sob ameaça em outros países, especialmente na Índia, são frequentemente usadas por elementos radicais para reforçar ressentimentos religiosos e hostilidade contra supostos adversários externos. Líderes paquistaneses levantaram repetidamente questões relativas a minorias em fóruns internacionais, tornando-as parte de uma narrativa política e diplomática mais ampla. Ao mesmo tempo, preocupações persistentes com os direitos e a segurança das próprias minorias religiosas do Paquistão permanecem, em larga medida, sem solução. [45]

Além disso, o Paquistão costuma invocar narrativas de vitimização e islamofobia sempre que surgem denúncias sobre o tratamento dado a suas minorias religiosas. [46] Tem usado essas narrativas com frequência em fóruns internacionais, sobretudo por meio das Nações Unidas e da Organização de Cooperação Islâmica (OIC), para deslocar a atenção para a condição dos muçulmanos no mundo e desviar críticas a seu próprio histórico de proteção às minorias religiosas. [47] Ao se apresentar como um dos principais defensores do combate à islamofobia, o Paquistão buscou se eximir da responsabilidade de enfrentar os desafios persistentes vividos por suas próprias minorias religiosas.

A imprensa paquistanesa também desempenhou papel significativo na construção de narrativas de vitimização e de percepções negativas sobre as minorias. Por meio de cobertura seletiva, propaganda e construção contínua de narrativas, parcelas da mídia contribuíram para reforçar preconceitos religiosos e normalizar a hostilidade contra hindus na sociedade paquistanesa. Grandes redes de televisão e jornais em línguas vernáculas costumam dar ampla atenção a disputas religiosas fora do Paquistão, enquanto dedicam atenção comparativamente limitada ao sequestro e à conversão forçada de meninas de minorias dentro do país. Além disso, parte da mídia de entretenimento e das produções patrióticas retratou personagens hindus por meio de estereótipos negativos, alimentando percepções de suspeita e desconfiança. Tais narrativas podem marginalizar ainda mais a minoria hindu local e obscurecer a distinção entre os cidadãos hindus do Paquistão e acontecimentos políticos além de suas fronteiras.

Embora alguns líderes paquistaneses tenham, ocasionalmente, reconhecido os maus-tratos às minorias, raramente se seguiram ações concretas. Por exemplo, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou explicitamente no plenário da Assembleia Nacional que as minorias enfrentam “violência direcionada em nome da religião” e que nenhuma minoria religiosa está segura, reconhecendo isso como motivo de constrangimento global. [48]

A persistência da neodimitude e a necessidade de reforma estrutural

O Paquistão critica frequentemente outros países sempre que ocorrem ataques a locais de culto ou surgem questões relativas a minorias religiosas. Embora preocupações com o tratamento de minorias religiosas em outros lugares sejam legítimas, o mesmo princípio de proteção às minorias deve ser aplicado ao próprio histórico do Paquistão. A destruição sistemática do patrimônio cultural e religioso hindu, a discriminação persistente contra minorias religiosas e as repetidas preocupações manifestadas por organizações internacionais de direitos humanos levantam sérias dúvidas sobre a proteção conferida à minoria hindu paquistanesa.

As experiências históricas das comunidades cristãs sob domínio muçulmano também oferecem um contexto mais amplo para compreender como minorias religiosas podem se tornar vulneráveis à coerção, à conversão forçada, ao deslocamento, à violência e à erosão de suas instituições religiosas e culturais. O devshirme otomano, que envolvia o recrutamento e a conversão forçados de meninos cristãos, e a conversão forçada e a assimilação de mulheres e crianças armênias durante o Genocídio Armênio de 1915–16 oferecem exemplos históricos específicos. Essas experiências não foram idênticas à condição dos hindus no Paquistão contemporâneo, mas ilustram como a discriminação prolongada, a coerção e outras formas de pressão podem enfraquecer a identidade religiosa e as instituições comunitárias ao longo do tempo.

O conjunto de evidências apresentado neste trabalho sugere que esses padrões de longo prazo constituem uma forma contemporânea de neodimitude, caracterizada por discriminação institucional, exclusão social e a erosão gradual dos direitos, da identidade e da dignidade da minoria hindu do Paquistão. O Paquistão precisa ir além da retórica e empreender reformas estruturais genuínas, assegurando direitos iguais e proteção igual a todos os cidadãos, independentemente da religião, implementando efetivamente as salvaguardas constitucionais, reformando seu sistema educacional para eliminar o ódio e a intolerância, desmontando narrativas extremistas e protegendo o patrimônio cultural e religioso de suas minorias. A menos que esses problemas estruturais sejam enfrentados, a radicalização e o ódio dirigidos contra as minorias religiosas não apenas continuarão a colocar essas comunidades em risco como também representarão ameaça crescente à coesão social do próprio Paquistão, à estabilidade regional e à sua segurança no longo prazo.

Notas

[1] Bat Ye’or, The Dhimmi: Jews & Christians Under Islam , trad. David Maisel, prefácio de Jacques Ellul (Madison, NJ: Fairleigh Dickinson University Press, 1985).

[2] Bat Ye’or, The Decline of Eastern Christianity under Islam: From Jihad to Dhimmitude, Seventh–Twentieth Century , trad. Miriam Kochan e David Littman (Madison, NJ: Fairleigh Dickinson University Press, 1996).

[3] Anver M. Emon, Religious Pluralism and Islamic Law: Dhimmis and Others in the Empire of Law (Oxford: Oxford University Press, 2012).

[4] Minority Rights Group International, “Hindus in Pakistan,” atualizado em dezembro de 2025, https://minorityrights.org/communities/hindus-2/ .

[5] Shahzeb Jillani, “The Search for Jinnah’s Vision of Pakistan,” BBC News , 11 de setembro de 2013, https://www.bbc.com/news/world-asia-24034873 .

[6] Muhammad Ali Jinnah, “Muhammad Ali Jinnah’s Presidential Address to the 1st Constituent Assembly of Pakistan (August 11, 1947),” Mahbub ul Haq Research Centre, Lahore University of Management Sciences, 14 de agosto de 2023, https://mhrc.lums.edu.pk/muhammad-ali-jinnahs-presidential-address-to-the-1st-constituent-assembly-of-pakistan-august-11-1947 .

[7] Ibid.

[8] “Pak Army Ad Reserves Sanitation Jobs for ‘Non-Muslims Only,’ Sparks Row,” Times of India, 1º de setembro de 2018, https://timesofindia.indiatimes.com/world/pakistan/pak-army-ad-reserves-sanitation-jobs-for-non-muslims-only-sparks-row/articleshow/65639476.cms .

[9] Salman Ahmed Shaikh, Making the System of Zakat More Effective and Impactful for Social Protection, Policy Brief PB-2023-XXII-AT (Islamabad: Institute of Policy Studies, 7 de agosto de 2023), https://www.ips.org.pk/wp-content/uploads/2023/08/22-Making-the-System-of-Zakat-more-Effective-and-Impactful.pdf . ( ips.org.pk )

[10] I. A. Rehman, Discrimination against Religious Minorities in Pakistan: An Analysis of Federal and Provincial Laws (All-Party Parliamentary Group for International Freedom of Religion or Belief, 2011), https://appgfreedomofreligionorbelief.org/media/RESEARCH-DOCUMENT-1-discrimination-against-religious-minorities.-Analysis.pdf .

[11] Ibid.

[12] Zahid Gishkori, “95% of Worship Places Put to Commercial Use: Survey,” The Express Tribune , 25 de março de 2014, https://tribune.com.pk/story/686952/95-of-worship-places-put-to-commercial-use-survey .

[13] Kalbe Ali, “Hindus’ Holy Sites a Picture of Neglect, Says Commission,” Dawn , 8 de fevereiro de 2021, https://www.dawn.com/news/1606143 .

[14] Arjun Kumar, “Multan’s Lost Prahladpuri Temple: Tracing Holi’s Origins and a City’s Hindu Past,” Firstpost , 8 de março de 2026, https://www.firstpost.com/opinion/multan-prahladpuri-temple-holi-origins-hindu-heritage-13987317.html .

[15] Harpreet Bajwa, “125-Year-Old Gurdwara Demolished in Pakistan; MEA Condemns Act, Sikh Groups Seek Intervention,” The New Indian Express , 2 de julho de 2026, https://www.newindianexpress.com/world/2026/Jul/02/125-year-old-gurdwara-demolished-in-pakistan-mea-condemns-act-sikh-groups-seek-intervention .

[16] Maria Abi-Habib, “Islamists Block Construction of First Hindu Temple in Islamabad,” New York Times , 8 de julho de 2020, https://www.nytimes.com/2020/07/08/world/asia/hindu-temple-islamabad-islamists-pakistan.html .

[17] Governo da Índia, Ministério do Interior, “Pilgrimage to Sri Kartarpur Sahib,” acessado em 17 de setembro de 2026, https://prakashpurb550.mha.gov.in/kpr/ .

[18] Avinash Kateel, “Pakistani Extremists Prevent Lahore from Returning to Original Hindu, Sikh Names,” India Today , 26 de maio de 2026, https://www.indiatoday.in/world/story/pakistan-news-maryam-nawaz-sharif-lahore-land-renaming-extreme-elements-backlash-2917460-2026-05-26 .

[19] Mohammad Hussain Khan, “‘Ghotki Attacks on Hindu Community Conspiracy to Foment Communal Unrest,’ Probe Finds,” Dawn , 28 de setembro de 2019, https://www.dawn.com/news/1507673 .

[20] “Pakistan ‘Disco Mullah’ Faces Blasphemy Probe,” Al Jazeera , 4 de dezembro de 2014, https://www.aljazeera.com/news/2014/12/4/pakistan-disco-mullah-faces-blasphemy-probe .

[21] Mubasher Bukhari e Asif Shahzad, “Lynching of Sri Lankan Manager by Pakistani Mob Was Anti-Islam, Court Says,” Reuters , 19 de abril de 2022, https://www.reuters.com/world/asia-pacific/lynching-sri-lankan-manager-by-pakistani-mob-was-anti-islam-court-2022-04-19/ .

[22] Press Trust of India, “Police Demolish Minarets of Ahmadi Worship Places in Pakistan’s Punjab Province,” The Hindu , 11 de abril de 2025, https://www.thehindu.com/news/international/police-demolish-minarets-of-ahmadi-worship-places-in-pakistans-punjab-province/article69440706.ece . ( theweek.in )

[23] Departamento de Estado dos EUA, 2019 Report on International Religious Freedom: Pakistan (Washington, DC: U.S. Department of State, 2020).

[24] Rabia Azfar Nizami, “The Plight of Water-Scarce Tharparkar,” The Express Tribune , 6 de junho de 2021, https://tribune.com.pk/story/2303833/the-plight-of-water-scarce-tharparkar .

[25] Press Trust of India, “Pak Army Chief Gen Munir Highlights Two-Nation Theory Again,” The New Indian Express , 26 de abril de 2025, https://www.newindianexpress.com/world/2025/Apr/26/pak-army-chief-gen-munir-highlights-two-nation-theory-again-2 . ( newindianexpress.com )

[26] “‘We Tolerate 4% Hindus’: Zardari’s Comment Exposes Pakistan’s Troubled Minority Record,” Firstpost , 14 de agosto de 2026, https://www.firstpost.com/world/we-tolerate-4-hindus-zardaris-comment-exposes-pakistans-troubled-minority-record-14038478.html .

[27] Adil Rasheed, “The Irreligious, Inauthentic Narrative of ‘Ghazwa-e-Hind,’” Issue Brief, Manohar Parrikar Institute for Defence Studies and Analyses, 18 de agosto de 2023, https://policycommons.net/artifacts/4773131/the-irreligious-inauthentic-narrative-of-ghazwa-e-hind/5609361/ .

[28] U.S. Commission on International Religious Freedom, Teaching Intolerance in Pakistan: Religious Bias in Public School Textbooks (Washington, DC: U.S. Commission on International Religious Freedom, 2016), https://www.uscirf.gov/publications/teaching-intolerance-pakistan-religious-bias-public-school-textbooks .

[29] NDTV News Desk, “How Gujarat’s Somnath Temple Was Attacked and Rebuilt Over Centuries,” NDTV , 11 de janeiro de 2026, https://www.ndtv.com/india-news/how-gujarats-somnath-temple-was-attacked-and-rebuilt-over-centuries-10652527 .

[30] Bhumi Jain, “When Pakistan Names Its Missiles after Invaders of Its Own Land, It’s Rewriting History for War,” Moneycontrol , 8 de julho de 2025, https://www.moneycontrol.com/news/opinion/when-pakistan-names-its-missiles-after-invaders-of-its-own-land-it-s-rewriting-history-for-war-13241061.html .

[31] Shiraz Hassan, “Hindu Citizens Looking for Jinnah’s Pakistan,” Dawn , 26 de outubro de 2014, https://www.dawn.com/news/1140459 .

[32] Haroon Khalid, “Putting the Attacks on Islamabad’s First Hindu Temple in Context,” Al Jazeera , 23 de julho de 2020, https://www.aljazeera.com/opinions/2020/7/23/putting-the-attacks-on-islamabads-first-hindu-temple-in-context .

[33] Peter Jacob, org., Quality Education vs. Fanatic Literacy: An Analysis of Textbooks, Curriculum and Policies in Pakistan (Lahore: Centre for Social Justice, 2020), https://csjpak.org/publications/Quality_Education_Vs_Fanatic_Literacy.pdf .

[34] Bill Roggio, “Lashkar-e-Taiba Dominates Anti-US Rally in Lahore,” FDD’s Long War Journal , 18 de dezembro de 2011, https://www.longwarjournal.org/archives/2011/12/lashkar-e-taiba_dominates_anti.php .

[35] Mike Thomson, “Abducted, Shackled and Forced to Marry at 12,” BBC News, 10 de março de 2021, https://www.bbc.com/news/stories-56337182 .

[36] Yudhvir Rana, “Forced Conversions, a Growing Threat to Pak’s Hindu Girls: Rights Body,” Times of India, 11 de julho de 2026, https://timesofindia.indiatimes.com/city/chandigarh/forced-conversions-a-growing-threat-to-paks-hindu-girls-rights-body/articleshow/132319480.cms .

[37] Ibid.

[38] Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, “UN Experts Concerned by Forced Conversion through Marriage in Pakistan,” abril de 2026, https://www.ohchr.org/en/press-releases/2026/04/un-experts-concerned-forced-conversion-through-marriage-pakistan .

[39] “Minor Hindu Girl Meena Bhatt (14) Declared ‘Adult’ by Medical Board, Handed Over to Her Abductor: Sindh, Pakistan,” Vishwa Hindu Parishad–Thailand , 27 de fevereiro de 2023, https://vhpthailand.org/2023/02/27/minor-hindu-girl-meena-bhatt-14-declared-adult-by-medical-board-handed-over-to-her-abductor-sindh-pakistan/ .

[40] The Newspaper’s Staff Reporter, “Sindh Assembly Urged to Reject Forced Conversion Bill,” Dawn , 30 de abril de 2019, https://www.dawn.com/news/1479291 .

[41] Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, “Pakistan: UN Experts Alarmed by Lack of Protection for Minority Girls from Forced Religious Conversions and Forced Marriage,” 11 de abril de 2024, https://www.ohchr.org/en/press-releases/2024/04/pakistan-un-experts-alarmed-lack-protection-minority-girls-forced-religious .

[42] Ibid.

[43] International Commission of Jurists, Violations of the Right to Freedom of Religion or Belief in Pakistan: A Briefing Paper (Genebra: International Commission of Jurists, julho de 2021), https://www.icj.org/wp-content/uploads/2021/07/Pakistan-FoRB-Advocacy-Analysis-biref-2021-ENG.pdf .

[44] Maria Abi-Habib e Zia ur-Rehman, “Poor and Desperate, Pakistani Hindus Accept Islam to Get By,” New York Times , 4 de agosto de 2020, https://www.nytimes.com/2020/08/04/world/asia/pakistan-hindu-conversion.html .

[45] Stephanie Kramer, “Population Growth and Religious Composition,” em Religious Composition of India, Pew Research Center, 21 de setembro de 2021, https://www.pewresearch.org/religion/2021/09/21/population-growth-and-religious-composition/ .

[46] Kashif Imran, “At UN, Pakistan Urges Resolute Global Action against Rising Islamophobia,” Arab News Pakistan , 19 de junho de 2026, https://www.arabnews.pk/pakistan/at-un-pakistan-urges-resolute-global-action-against-rising-islamophobia-2647781 .

[47] Ashali Varma, “Pakistan’s Religious Card Will Implode It,” Times of India, 27 de outubro de 2021, https://timesofindia.indiatimes.com/blogs/no-free-lunch/pakistans-religious-card-will-implode-it/ .

[48] Genocide Watch, “Pakistan Minister Admits Minorities Face Persistent Violence”, 19 de setembro de 2024, atualizado em 23 de setembro de 2024, https://www.genocidewatch.com/single-post/pakistan-defence-minister-admits-minorities-hindus-sikhs-smaller-muslim-sects-face-persistent .

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