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Para conquistar os iranianos, Rubio deveria voltar a designar o Mujahedin-e Khalq

As duas últimas semanas de protestos confirmaram que o grupo não tem apoio nem legitimidade entre os iranianos comuns

Michael Rubin é especialista em Irã, Turquia e Chifre da África. Sua trajetória inclui a passagem por um cargo no Pentágono, com experiências de campo no Irã, no Iêmen e no Iraque, além de contatos com o Talibã antes do 11 de Setembro. Rubin também atuou na educação militar, ensinando unidades da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA sobre conflitos regionais e terrorismo. Sua produção acadêmica inclui diversas publicações importantes, como “Dancing with the Devil” e “Eternal Iran”. Rubin obteve doutorado e mestrado em história e bacharelado em biologia pela Universidade Yale.

Secretary of State Marco Rubio takes part in an April 2025 meeting with Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu at the White House.
O secretário de Estado Marco Rubio participa de reunião com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na Casa Branca, em abril de 2025. · Shutterstock

Os iranianos estão mais perto do que nunca de derrubar um regime que a maioria detesta há décadas. Embora historiadores estimem que 10% dos iranianos tenham participado da Revolução Islâmica, a maior parte se uniu em torno daquilo a que se opunha — o xá —, e não daquilo que defendia. O aiatolá Ruhollah Khomeini procurou ser tudo para todos, prometendo uma democracia islâmica sem definir o que queria dizer com isso. Antes de voltar ao Irã, Khomeini concedeu inúmeras entrevistas em que descartava qualquer intenção de exercer o poder. Quando os iranianos que marchavam contra o xá perceberam que Khomeini era um mentiroso, já era tarde demais.

O Mujahedin-e Khalq estava entre os maiores apoiadores de Khomeini na década anterior à Revolução Islâmica. Os fundadores do grupo fundiram religião e marxismo para conquistar jovens universitários ingênuos. Eles estiveram entre os capangas mais violentos de Khomeini: treinaram com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), assassinaram empresários e militares americanos e bombardearam empresas americanas no Irã.

Quando Khomeini os traiu, dirigiram a ele sua fúria, mas não foram tão precisos no uso da violência. Bombas do Mujahedin mataram centenas de iranianos, já que o grupo, de feições sectárias, pouco se importava com os danos colaterais. Por isso, muitos iranianos os consideram terroristas.

Mais condenável, aos olhos dos iranianos, foi a deserção do Mujahedin-e Khalq para o Iraque de Saddam Hussein no auge da guerra Irã-Iraque. Uma coisa era opor-se a Khomeini — a maioria dos iranianos se opunha. Outra era unir forças com um ditador árabe cujo objetivo declarado era desmantelar o Irã como nação unitária.

Nas décadas seguintes, o Mujahedin tornou-se ainda mais sectário, ao mesmo tempo em que virou um camaleão político, ajustando o discurso para apoiar quem quer que julgasse poder ser seu patrocinador. Quando corteja o Congresso, finge compromisso com a democracia, ainda que suas ações e sua retórica interna indiquem que permanece inalterado e descaradamente antiamericano. “Vitória ou martírio, a luta contra a América se ergue de nossa voz. … O compromisso é uma vergonha. Gritem do fundo do coração: destruam a América!”, diz um dos hinos do Mujahedin-e Khalq.

Muitos iranianos são pró-Estados Unidos, mas Washington não deve se iludir. Jornalistas podem conviver com iranianos de aparência ocidental nos bairros de Tajrish ou Shemiran, no norte de Teerã, mas eles não refletem a sociedade iraniana mais do que o Upper East Side ou o Upper West Side de Manhattan refletiriam a sociedade americana. O oeste de Teerã, por exemplo, abriga muitas famílias de veteranos de guerra. O bazar de Teerã, embora fechado, segue majoritariamente religioso e conservador. Eslamshahr, ao sul, é de classe trabalhadora, pobre e mais desconfiada do Ocidente.

Diante não apenas do terror que o Mujahedin praticou contra americanos no passado, mas também de sua recusa em reconhecê-lo, que dirá pedir desculpas por ele, além de seu papel na Revolução Islâmica e do assassinato de iranianos que se seguiu, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deveria designar o Mujahedin-e Khalq como Organização Terrorista Estrangeira (FTO). As duas últimas semanas de protestos confirmaram que o grupo não tem apoio nem legitimidade entre os iranianos comuns. Rubio, ao contrário de alguns antecessores, nunca aceitou subornos do Mujahedin-e Khalq disfarçados de doações ou honorários; não deve favores a um grupo que os iranianos desprezam.

Mais do que qualquer post do presidente Donald Trump no Truth Social ou declaração do porta-voz do Departamento de Estado, voltar a designar o Mujahedin-e Khalq demonstraria o fim de uma era para todos os islamistas do Irã, sejam khomeinistas ou rajavistas.

Uma medida assim mostraria aos iranianos que ainda hesitam que Washington entende suas aspirações, busca sua amizade e respeitará sua vontade popular.

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