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Onde está Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã?

Elevar um morto ao cargo seria implausível, o que sugere que Mojtaba Khamenei esteja ferido e escondido

A file photo of Mojtaba Khamenei.
Foto de arquivo de Mojtaba Khamenei. · Tasnim News Agency, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Agora é oficial: o filho de Ali Khamenei ascendeu ao trono. O Irã tem um novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, de 56 anos. Após a morte de Ali Khamenei, este é o segundo grande desdobramento político da campanha aérea conjunta de EUA e Israel contra a República Islâmica.

O establishment tinha outras opções. Uma delas era o ex-presidente Hassan Rouhani, um operador experiente, com 46 anos de serviço em cargos de segurança e inteligência e oito anos à frente do orçamento civil e dos ministérios, embora sempre subordinado a Khamenei e à Guarda Revolucionária do Irã (IRGC).

Várias perguntas surgem a respeito de Mojtaba Khamenei e de sua nomeação como líder supremo. Primeiro, não está claro se a Assembleia de Especialistas, de 88 integrantes, chegou a se reunir para votar, em plenário, sua escolha. Uma reunião de 88 clérigos idosos — cuja idade média, segundo relatos, é próxima dos 90 anos — durante uma campanha aérea que tem como alvo a cúpula do país teria sido quase impossível. A decisão foi tomada por algum mecanismo on-line? Mesmo nesse caso, cada um dos clérigos precisaria de assistência técnica apenas para entrar numa reunião e registrar seu voto. Permanece, portanto, a questão de fundo: quais centros de poder e quais indivíduos escolheram o Khamenei mais jovem? Que papel a Guarda Revolucionária do Irã, que mantém laços estreitos com ele, desempenhou no processo?

Segundo, onde está Mojtaba? Desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro de 2026, e a notícia da morte de Ali Khamenei, não há sinal de seu paradeiro nem sequer confirmação de seu estado de saúde. Alguns especularam que ele possa ter sido morto no bombardeio ao complexo do pai. Sua mulher e vários parentes próximos morreram nesse ataque. Teria o regime elevado um morto ao cargo para projetar uma aparência de estabilidade? Isso talvez seja pouco plausível. Um líder supremo, em algum momento, precisa aparecer em público — provavelmente em breve, quando for realizado o funeral oficial de Ali Khamenei. Outra possibilidade é que Mojtaba tenha sobrevivido ao bombardeio, mas esteja ferido e escondido. Essa hipótese parece mais plausível. Se Mojtaba estivesse bem de saúde, seria grande a tentação do regime de exibi-lo publicamente para injetar esperança nas fileiras dos partidários do regime. Mesmo um breve vídeo gravado mostrando-o vivo — sem nenhum discurso — teria demonstrado que o regime ainda tem liderança.

Enquanto isso, os executores de baixo escalão do regime passam boa parte do tempo nas ruas, evitando prédios que possam ser alvejados do ar. Perambulam intimidando cidadãos comuns, exibindo armas e gritando palavras de ordem religiosas. Isso é menos um sinal de força do que de pânico. Eles sabem que, se a população tomar as ruas e derrubar o regime, poderão sofrer retaliação por seu papel no assassinato de dezenas de milhares de pessoas.

Outra explicação para a ausência de Mojtaba é que o establishment quer proteger sua última esperança de um ataque direcionado. As autoridades podem calcular que qualquer deslocamento, comunicação ou até mesmo uma aparição digital revelaria sua localização. Bunkers reforçados e segurança cerrada não salvaram seu pai.

Ainda assim, muitas figuras políticas e econômicas do regime começaram a sinalizar obediência a Mojtaba ao oferecer bay’at — um juramento islâmico de lealdade a um líder. Na tradição islâmica primitiva, as pessoas prestavam publicamente bay’at a um califa ou governante, como declaração de fidelidade e obediência. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi um dos primeiros a fazê-lo, ao anunciar: “O aiatolá Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei conduzirá o navio da revolução rumo a um Irã próspero, avançado e unificado”. O presidente Masoud Pezeshkian também jurou lealdade. A ala dita reformista do regime também começou a se alinhar, reduzindo as chances de um cenário ao estilo venezuelano, em que Washington poderia apoiar um integrante do regime disposto a se render às exigências dos EUA.

Mojtaba desfruta de uma forte aliança com a Guarda Revolucionária do Irã, que, mais do que nunca, dá as cartas no país. Sem a destruição da corporação, é difícil imaginar que o porta-estandarte da ideologia antiocidental e anti-Israel do regime concorde com qualquer forma de rendição que possa abrir a porta para um futuro incerto — capaz de ameaçar tanto seu controle do poder quanto seus vastos interesses econômicos.

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