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Novo relatório do MEF diz que bombas enfraqueceram o regime iraniano, mas só a política pode substituí-lo

Seth D. Kaplan traça um caminho para substituir a República Islâmica por um Estado iraniano estável, democrático e integrado ao mundo.

Large columns of smoke billow above residential neighborhoods following U.S. and Israeli airstrikes in Tehran, Iran, on March 12, 2026.
Grandes colunas de fumaça sobem acima de bairros residenciais após ataques aéreos americanos e israelenses em Teerã, no Irã, em 12 de março de 2026. · Shutterstock

FILADÉLFIA – 28 de outubro de 2026 – Desde fevereiro, ataques americanos e israelenses mataram os principais comandantes do Irã, danificaram seus programas nuclear e de mísseis e degradaram boa parte de uma rede de dissuasão regional construída ao longo de quatro décadas. Ainda assim, a República Islâmica segue no poder, continua lutando e ainda é capaz de manter a navegação no Golfo sob risco.

Em “Fracturing the Iranian Regime” (clique aqui), Seth D. Kaplan, professor-conferencista da School of Advanced International Studies, da Universidade Johns Hopkins, explica por quê e expõe o que Washington e Jerusalém devem fazer a seguir. A sobrevivência do regime, argumenta ele, depende menos dos mísseis que lhe restam do que da coesão da coalizão governante que a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) organiza e protege. A Guarda se financia por meio de vastos ativos comerciais, conduz a repressão interna e vincula autoridades provinciais, fundações religiosas e redes empresariais numa mesma engrenagem. Enquanto essa estrutura se mantiver, Teerã pode absorver os golpes e continuar lutando.

Por duas décadas, milhões de iranianos marcharam, fizeram greve e se organizaram contra o regime. Todos os movimentos esbarraram no mesmo muro: um aparato de segurança coeso diante de uma oposição fragmentada e sem alternativa de governo. “A legitimidade por si só não produz mudança de regime”, escreve Kaplan. “A organização, sim.”

Ditaduras raramente caem porque seu povo fica com raiva. Nas palavras de Kaplan, “o colapso autoritário depende menos da persuasão de massas do que da incerteza das elites”. Portanto, “a implicação central é que a fratura do regime é um processo, e não um evento”.

Kaplan propõe quatro linhas de ação que se reforçam mutuamente:

  1. Unir a oposição. Construir um único veículo político, reunindo ativistas no país e na diáspora, capaz de coordenar greves, conduzir a diplomacia e, quando chegar a hora, governar.
  2. Dividir a coalizão do regime. Prometer responsabilização a quem ordenou a repressão e um futuro aos tecnocratas, servidores públicos, empresários e recrutas que não o fizeram.
  3. Vencer a guerra da informação. Financiar comunicações resistentes à censura, documentar abusos, expor a corrupção e mostrar aos iranianos o que vem depois.
  4. Competir no terreno econômico. Apoiar os trabalhadores em greve, direcionar as sanções contra a IRGC, e não contra as famílias comuns, e oferecer um plano crível de recuperação.

A proposta mais ousada do texto defende a criação de enclaves protegidos da oposição dentro do Irã. Na Síria, a dissuasão externa manteve viva a Idlib controlada pela oposição por tempo suficiente para que suas instituições se integrassem à transição que o país viveu mais adiante. No Irã, os enclaves provavelmente surgiriam primeiro no Curdistão e no Baluchistão, mas Kaplan adverte que precisam se espalhar pelo coração do país, de maioria persa, sob risco de alimentar o discurso do regime sobre o separatismo. O terreno em si importa menos do que o sinal que emite: assim que Teerã perder o controle incontestado do próprio mapa, suas autoridades começam a se resguardar.

Kaplan atribui a Washington e a Jerusalém papéis complementares. Os Estados Unidos devem liderar o esforço político, econômico, informacional e de planejamento da transição, da mídia em língua persa aos planos de contingência que mantenham ministérios e serviços essenciais funcionando no dia seguinte à queda do regime. Israel deve manter a pressão militar e de inteligência sobre os comandantes da IRGC, as forças de mísseis, a infraestrutura de drones e as forças por procuração, do Hezbollah aos houthis. Ambos devem agir discretamente. Um patrocínio estrangeiro visível, adverte Kaplan, entregaria ao regime sua linha de propaganda preferida. A transição precisa permanecer “inequivocamente liderada por iranianos”.

O objetivo, em suma, deixa de ser degradar o regime e passa a ser construir seu sucessor. “Oportunidades estratégicas dessa magnitude são incomuns”, conclui Kaplan. Sem organização política à altura da pressão militar, “o regime pode mais uma vez se adaptar, consolidar as forças que lhe restam e sobreviver”.

Mehrdad Marty Youssefiani, diretor do Iran Freedom Project (Projeto Irã Livre) do MEF, afirmou: “Seth Kaplan identifica com precisão que o verdadeiro centro de gravidade é a coalizão centrada na IRGC com os oligarcas do regime, e não os mísseis ou as centrífugas. Combinar pressão estratégica com uma alternativa política crível, um engajamento diferenciado das elites e um caminho claro de recuperação prioriza o protagonismo iraniano e a continuidade institucional. É assim que ganhos militares se convertem em transição duradoura.”

“Seth Kaplan compreende que a mudança de regime no Irã só pode ser alcançada por meio de uma abordagem multifacetada, que enfraqueça o governo liderado pela IRGC tanto militarmente quanto por dentro, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para a reconstrução da sociedade civil e de uma economia funcional”, disse Gregg Roman, diretor-executivo do Middle East Forum. “Seus argumentos são perspicazes, originais e convincentes.”

O texto completo está disponível aqui.

Sobre o Middle East Forum

O Middle East Forum, centro de pesquisa sem fins lucrativos, promove os interesses americanos no Oriente Médio e protege a civilização ocidental do islamismo. Faz isso por meio de suas publicações, pesquisas, iniciativas de políticas públicas e programas de educação pública.

Para mais informações, contate: Gregg Roman info@meforum.org +1 (215) 546-5406 @greggroman (X)

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