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Líder muçulmano de destaque pede a Deus que mate sionistas em mesquita da região de Boston

A mesquita mantém laços estreitos com a prefeitura e a polícia local

Dexter Van Zile, pesquisador do Middle East Forum, organização de pesquisa aplicada em políticas públicas, na cátedra Violin Family Research Fellow, é editor-gerente do Focus on Western Islamism. Antes do cargo atual, Van Zile trabalhou por 16 anos no Committee for Accuracy in Middle East Reporting and Analysis, onde teve papel central no combate à desinformação disseminada em igrejas cristãs por cristãos palestinos e na refutação da propaganda antissemita veiculada por nacionalistas brancos e seus aliados nos EUA. Seus artigos foram publicados no Jerusalem Post, no Boston Globe, na Jewish Political Studies Review, no Algemeiner e no Jewish News Syndicate. Ele é autor de numerosos estudos acadêmicos e capítulos de livros sobre o antissionismo cristão.

The Al-Huda Society buidling in Chelsea, Mass., where a leader has called on God to kill Zionists.
O prédio da Al-Huda Society em Chelsea, Massachusetts, onde um líder pediu a Deus que matasse sionistas. · (Dexter Van Zile)

“A oração de El-Amani é uma vergonha”, disse Gerald McDermott, padre anglicano, teólogo, autor e acadêmico especializado em relações judaico-cristãs. “Ele está pedindo a Deus que mate sionistas diante de plateias de homens que são instruídos regularmente de que devem ser instrumentos dos propósitos de Deus. Isso é incitação, pura e simples.”

No sermão de 17 de abril, proferido em inglês, ele disse que os judeus em Medina traíram Muhammad e aplicou o episódio a Gaza antes de conduzir a oração. Dezenas de fiéis aparecem nos vídeos dos sermões de El-Alami no YouTube. Em alguns dias, ele fala para um salão lotado; em outros, a presença é relativamente baixa. Nas imagens analisadas, nenhum participante no campo da câmera manifesta qualquer objeção aos seus apelos para que Deus mate sionistas.

“A invectiva antissemita de El-Alami é o mesmo discurso que há muito envenena a Europa”, adverte Jules Gomes, padre anglicano que atualmente trabalha como jornalista em Roma. “Pregadores em mesquitas europeias usam deliberadamente ‘sionista’ como eufemismo para ‘judeu’ — substituição confirmada pelo recurso constante a textos corânicos sobre judeus, não sobre sionistas.”

Gomes, que escreveu extensamente para o Focus on Western Islamism, acrescenta que “a Europa há muito é o marco zero dessa retórica. Os americanos ignoram nossa experiência por sua conta e risco”.

A.J. Nolte, professor associado de política e diretor do Israel Institute da Regent University, disse que o uso da palavra “agressor” por El-Alami é importante porque justifica implicitamente a jihad. “Segundo a lei islâmica, a jihad é definida como defensiva, e é mais justificável quando a casa do islã é atacada”, afirmou. Ele acrescentou que a comparação com os judeus de Medina também é reveladora, já que eles eram vistos como tendo traído uma aliança com Muhammad. “Na ideologia jihadista, os sionistas traíram o islã ao recusar o status de segunda classe, essencialmente a dimitude, e ao afirmar sua soberania.”

A oração, portanto, vai além de justificar a violência contra “sionistas”, disse Nolte. “Ela mostra que, na ideologia jihadista, o problema não é nenhuma ação específica que Israel adote em Gaza, no Irã, na Judeia e Samaria, ou em outro lugar, mas a existência soberana de Israel como Estado judeu em terras que os jihadistas acreditam que deveriam pertencer exclusivamente à soberania muçulmana.”

Verbas públicas e conexões

A Al-Huda Society recebeu dinheiro de contribuintes na forma de dois empréstimos do Paycheck Protection Program (PPP), relacionados à pandemia de Covid-19, que somaram US$ 76.975, ambos perdoados. Em abril de 2020, a entidade também recebeu uma verba emergencial de US$ 8.000 da Small Business Administration, que não precisou ser devolvida.

Além disso, policiais do Departamento de Polícia de Chelsea participaram de um jantar comunitário na mesquita em 9 de outubro de 2026. Uma semana depois, El-Alami encerrou seu sermão de sexta-feira com a oração imprecatória em árabe citada acima. O jantar foi organizado sob os auspícios do “Faith & Blue”, uma iniciativa nacional lançada em 2020 para promover laços mais estreitos entre departamentos de polícia locais e comunidades religiosas locais. O Departamento de Polícia de Chelsea se reuniu com inúmeras igrejas — e uma sinagoga — como parte de sua campanha de 2026.

Segundo uma publicação na página da prefeitura de Chelsea no Facebook, o administrador municipal Fidel Maltez juntou-se a membros da comunidade em um iftar realizado na mesquita em março de 2026. O Focus on Western Islamism (FWI) procurou o gabinete do administrador municipal, o chefe de polícia de Chelsea, Keith Houghton, membros da Câmara Municipal de Chelsea e dirigentes da própria mesquita — incluindo El-Alami — e pediu comentários sobre as declarações de El-Alami, mas não obteve resposta.

Cristãos locais que participam do diálogo inter-religioso precisam enfrentar essa retórica, disse Aaron Fruh, pastor aposentado das Assembleias de Deus que hoje é diretor-executivo da Redwood Coalition, organização que trabalha para educar os americanos sobre a ameaça do antissemitismo.

“É hora de muitos membros do clero e da academia cristãos repensarem sua prática ingênua de atuar como apologistas do islã”, disse Fruh, acrescentando que a retórica transmitida na Al-Huda não é uma anomalia. “Essa linguagem antissemita e antiocidental é central ao mandato do islã de destruir Israel e os valores judaico-cristãos do mundo ocidental. Os bárbaros estão à porta e, se algum dia obtiverem o poder que cobiçam, os primeiros a serem massacrados serão os idiotas úteis que os deixaram entrar.”

Quem é El-Alami?

El-Alami, que consta no site da entidade, também aparece como presidente do conselho do Boston Islamic Seminary nos documentos fiscais da escola de 2024. O duplo papel não surpreende, já que o seminário funciona no prédio da Al-Huda em Chelsea. Publicações no Facebook tanto de El-Alami quanto das contas da mesquita indicam que seus vínculos com a mesquita remontam a 2011 e 2012. Um relatório anual publicado pela Islamic Society of Boston (ISB) referente a 2017 e 2018 indica que El-Alami integrou o conselho de diretores da seção de Boston da Muslim American Society (MAS), que, segundo depoimento de Abdurahman Alamoudi relatado pelo Investigative Project on Terrorism, foi fundada como um “braço ostensivo da Irmandade Muçulmana”.

Ele também integrou o conselho de curadores (board of trust) da ISB. Os “curadores inaugurais [da ISB] … incluíam Yusuf Al Qaradawi, o líder espiritual da Irmandade Muçulmana que foi elogiado por Bin Laden, e Abdulrahman Alamoudi, um arrecadador de fundos da Al Qaeda que foi preso em 2004 por conspirar com o regime líbio para assassinar um príncipe herdeiro saudita”, escreveu Sam Westrop em 2017. Alamoudi se declarou culpado em 2004 de acusações federais de transações não licenciadas com a Líbia, declarações falsas e violações tributárias, e foi condenado a 23 anos de prisão; o Departamento de Justiça afirmou que documentos judiciais mostravam que ele ajudara a financiar um plano para assassinar o então príncipe herdeiro Abdullah, da Arábia Saudita.

Profissional da saúde?

O perfil de El-Alami no Facebook não faz referência à MAS nem à ISB, mas afirma que ele trabalhou no South Shore Hospital. Um artigo de 2024 no site do sistema hospitalar menciona o trabalho de El-Alami como “supervisor do banco de sangue” na unidade.

El-Alami, cujas conexões no Facebook incluem o radical islamista Abdullah Faruuq, recebeu inúmeros elogios por seus esforços de arrecadação ao participar do Pan-Mass Challenge, uma maratona ciclística anual por Massachusetts que levanta fundos para pesquisa e tratamento de câncer no Dana-Farber Cancer Institute.

Em seu sermão de 16 de outubro de 2026 na Al-Huda Society, El-Alami aparece vestindo uma jaqueta bordada com o lema do PMC, “Run. Ride. Give.” O bordado também menciona a South Shore Health, organização sem fins lucrativos que possui e administra um hospital comunitário em Weymouth, Massachusetts. As tentativas de obter uma resposta da South Shore Health para determinar os vínculos atuais de El-Alami com a organização foram infrutíferas.

“As declarações de Hassan El-Alami deveriam encher de horror todos os americanos”, declara Dyanne Martin, professora associada de inglês e estudos básicos no Wheaton College e pesquisadora sênior do Institute for the Study of Global Antisemitism and Policy (ISGAP). Infelizmente, muitos jovens concordam com El-Alami, relata Martin. “Meus alunos de faculdade cristã me dizem regularmente que cerca de 80% de seus colegas adotaram atitudes antissemitas, com muitos estudantes zombando abertamente de judeus e ridicularizando sionistas. Esses episódios são anedóticos, mas minhas experiências em sala de aula espelham essas anedotas.”

Martin se pergunta se os jovens nos EUA reconhecerão a incitação de El-Alami pelo que ela é.

“Os estudantes parecem acreditar que nenhum muçulmano, inclusive muçulmanos terroristas radicais, pode fazer algo errado — e que nenhum judeu ou sionista pode fazer algo certo”, disse ela. “Apelos tão descarados à violência como esses de El-Alami não têm lugar nos Estados Unidos. Não podemos tolerar aqueles que, movidos por ódios antigos, atiçam em outros a sede de sangue para trazer a jihad às nossas ruas.”

Dirigentes da Combined Jewish Philanthropies of Greater Boston e do Jewish Community Relations Council of Greater Boston não responderam aos pedidos de comentário.

(Nota: a página principal da Al-Huda no YouTube, que antes listava todos os vídeos mencionados acima, não exibe mais os vídeos em questão. Na verdade, parece que a Al-Huda Society ocultou de sua página principal todos os seus vídeos recentes. Os vídeos mais recentes exibidos na página principal são de quatro anos atrás. A mudança ocorreu depois que o FWI procurou a mesquita a respeito dos vídeos em questão. Por ora, os vídeos citados neste artigo podem ser vistos pelos links.)

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