Xeique do Texas defende a jihad, a morte de civis e o apedrejamento de adúlteros
Salah Al-Sawy preside importante centro islâmico em Houston
Dexter Van Zile, pesquisador do Middle East Forum, organização de pesquisa aplicada em políticas públicas, na cátedra Violin Family Research Fellow, é editor-gerente do Focus on Western Islamism. Antes do cargo atual, Van Zile trabalhou por 16 anos no Committee for Accuracy in Middle East Reporting and Analysis, onde teve papel central no combate à desinformação disseminada em igrejas cristãs por cristãos palestinos e na refutação da propaganda antissemita veiculada por nacionalistas brancos e seus aliados nos EUA. Seus artigos foram publicados no Jerusalem Post, no Boston Globe, na Jewish Political Studies Review, no Algemeiner e no Jewish News Syndicate. Ele é autor de numerosos estudos acadêmicos e capítulos de livros sobre o antissionismo cristão.

Um xeique do Texas vem defendendo a jihad, legitimando a violência contra civis israelenses e o apedrejamento de adúlteros, ao mesmo tempo que recebe grande aclamação de instituições muçulmanas nos Estados Unidos. O xeique em questão, Salah Al-Sawy, não é um extremista de pouca expressão, mas o secretário-geral da Assembleia de Juristas Muçulmanos da América (Assembly of Muslim Jurists of America, AMJA), um órgão de juristas do direito islâmico que emite decisões religiosas para muçulmanos que vivem nos Estados Unidos. Ele também é presidente da Islamic University of North America (também conhecida como Mishkah University) e presidente da Medical Center Islamic Society, em Houston.
As mensagens que Al-Sawy promove podem ser vistas em seu site de fatwas em árabe, Mawsu’at Fatawa al-Sawy (a Enciclopédia de Fatwas de al-Sawy), que propaga a jihad e o apedrejamento de adúlteros junto a seus seguidores. As decisões, que parecem ser publicadas apenas em árabe, não são comentários fortuitos. Quatro delas, publicadas em 2017 e 2025, indicam que Al-Sawy se recusa, por princípio, a condenar a violência, inclusive contra civis. Outras duas fatwas indicam que ele considera a escravidão não um erro moral que viola os direitos humanos das pessoas, mas uma prática que desacredita os muçulmanos.
“Al-Sawy é uma figura profundamente influente na comunidade muçulmana americana”, alerta Sam Westrop, diretor do projeto Islamist Watch, do Middle East Forum. “Sua influência decorre da capacidade de influenciar crenças e práticas de muçulmanos por meio de suas fatwas e de seu papel na Mishkah University, onde treina a próxima geração de imãs na América.”
Pareceres pró-jihad
Em um de dois pareceres datados de 26 de dezembro de 2017, um egípcio perguntou se tinha obrigação religiosa de ir lutar na Síria. Al-Sawy elogiou o “zelo religioso” do homem e chamou a jihad de “o ápice do islã”. Afirmou que, quando um inimigo ataca terra muçulmana, o dever de lutar se espalha “em círculos que se ampliam gradualmente” até abranger “toda a terra do islã”. Desaconselhou o envio de voluntários sem treinamento, mas apenas porque eles sobrecarregariam os combatentes e dariam ao mundo motivos para rotular os campos de batalha como “ponto de encontro de organizações terroristas”. Classificou esse rótulo como uma difamação usada contra “qualquer um que se agarre firmemente à sua religião”. Em vez disso, instou os muçulmanos a dar apoio financeiro, político, jurídico e na mídia, conforme pedem “os comandantes de campo da jihad”.
No outro parecer publicado em seu site em 26 de dezembro de 2017, um consulente perguntou por que estudiosos haviam abençoado a jihad de Osama bin Laden contra os soviéticos, mas se voltaram contra ele quando ele levou a luta aos Estados Unidos. “A América não é como os russos?”, perguntou o consulente. Al-Sawy não contestou. Deixou o “acerto de contas” de bin Laden a cargo de Deus e disse esperar a “misericórdia e o perdão” de Deus para todo muçulmano. Em seguida, explicou que a discordância com bin Laden “não é quanto ao princípio da jihad em si”. Era quanto a erros na avaliação das condições, “cálculos falhos” e “imprudência na escolha do momento”.
Al-Sawy adotou posição semelhante em janeiro de 2025, quando uma cidadã árabe de Israel o consultou sobre palestinos que atropelam ou esfaqueiam judeus em bairros israelenses. A consulente, uma mulher, observou que as vítimas “podem ser inocentes” e classificou os ataques como suicidas.
Ele também declarou que “os judeus ocupantes na Palestina são usurpadores”, tenham eles próprios feito algo ou não, já que todos participaram do “crime” de expulsar os palestinos e, portanto, precisam ser punidos. “E a jihad, minha filha, não é meramente uma operação de martírio; pois a jihad tem fins e objetivos. Se a jihad leva à realização desses objetivos, então é uma jihad legítima”, sentenciou. “Mas se leva ao contrário — isto é, se traz satisfação aos corações dos descrentes, atormenta os crentes e enfurece seus corações —, então não é uma jihad legítima, e a obrigação se desloca para a preparação para a guerra.”
Apedrejamento de adúlteros
Em março de 2025, Al-Sawy publicou um parecer sobre o apedrejamento de adúlteros casados, escrito em resposta a jovens muçulmanos perturbados por um vídeo do Estado Islâmico em que uma mulher era apedrejada. Al-Sawy afirmou que o apedrejamento é parte consagrada da lei islâmica e disse que sua rejeição “só é conhecida entre os carijitas”, uma seita antiga que a maioria dos muçulmanos considera herética. Sua única objeção à execução pelo Estado Islâmico foi de ordem procedimental: o grupo não dispunha do poder de um “Estado constituído”, necessário para aplicar tais punições. “O caso deles é com Deus”, escreveu.
Minimiza relatos de maus-tratos a yazidis e trata a escravidão como realidade no islã
Em 2021 e 2025, Al-Sawy foi consultado sobre os maus-tratos infligidos a mulheres yazidis pelo Estado Islâmico. Era um assunto delicado: em 2016, a Organização das Nações Unidas relatou que a organização estava “cometendo genocídio contra os yazidis”, na Síria, e autoridades declararam em um relatório que o Estado Islâmico buscou eliminar os yazidis por meio de: assassinatos, escravidão sexual, escravização, tortura e tratamento desumano e degradante e transferência forçada causando graves danos físicos e mentais; a imposição de condições de vida que provocam uma morte lenta; a imposição de medidas para impedir o nascimento de crianças yazidis, inclusive a conversão forçada de adultos, a separação de homens e mulheres yazidis e o trauma mental; e a transferência de crianças yazidis de suas próprias famílias para combatentes do Estado Islâmico, cortando-lhes assim o vínculo com as crenças e práticas de sua comunidade religiosa.
Escravidão — primeira fatwa
Em uma fatwa de 31 de janeiro de 2021, em resposta ao anúncio do Estado Islâmico, em sua revista Dabiq, de que havia começado a fazer cativas mulheres yazidis em Mosul, Al-Sawy expôs as regras clássicas sobre prisioneiros de guerra. Afirmou que o islã não aspira à escravização, mas à alforria; que “secou” as fontes da escravidão, de modo que restou apenas o cativeiro decorrente da jihad legítima; que o único versículo do Alcorão sobre cativos menciona apenas a soltura como favor ou mediante resgate; e que a prática do Profeta incluía frequentes libertações, sem resgate ou mediante resgate.
O xeique acrescentou que, se o mundo concordou em abandonar a escravização e as terras islâmicas firmaram tratados correspondentes, então a siyasa shar‘iyya (“governança baseada na sharia”) exige abandonar a prática, tratar bem os cativos e considerar as consequências nocivas de mantê-la.
Voltando-se ao Estado Islâmico, escreveu que o que se atribui ao grupo é exagero midiático fabricado ou, se verdadeiro, “não deve ser atribuído à religião nem à sharia; Alá e Seu Mensageiro estão livres disso”, e enquadrou o episódio como parte de uma campanha midiática mais ampla de demonização do islã. Sem usar a palavra, Al-Sawy busca desacreditar como manifestações de “islamofobia” os numerosos e irrefutáveis relatos da violência do Estado Islâmico contra os yazidis no Iraque e na Síria.
Escravidão — segunda fatwa
Em uma fatwa de 24 de janeiro de 2025, em resposta a uma crítica detalhada às alegações do Estado Islâmico de acesso sexual a mulheres yazidis sob o argumento de que eram cativas, Al-Sawy voltou a começar com a mesma discussão clássica e abstrata. Reiterou que o islã preferia libertar os cativos, que a escravização nunca foi um objetivo permanente nem uma obrigação, que os acordos internacionais modernos contra a escravidão devem ser respeitados por serem coerentes com os objetivos da sharia e que resultados e consequências precisam ser ponderados.
O consulente havia argumentado que os yazidis não são “Povo do Livro” (de modo que nem mesmo as regras clássicas permitiam concubinagem com elas, segundo a visão majoritária), que os atos violavam tratados e que equivaliam ao sequestro de mulheres livres e a zina (termo jurídico islâmico para relação sexual fora do casamento ou da concubinagem lícita), e não a tasarri (concubinagem lícita com uma mulher escravizada, conforme a lei islâmica clássica).
Em suas respostas, o xeique distorceu a história da escravidão, tal como praticada em áreas sob domínio islâmico ao longo do tempo, afirmando falsamente que o islã visava à abolição da escravidão quando, na verdade, ela foi tratada como instituição estável e permanente, que só começou a perder força diante do movimento abolicionista, iniciado na Inglaterra.
Como relata Harron Bashir, “afirma-se com frequência, nas discussões contemporâneas sobre escravidão e islã, quase a ponto de se tornar lugar-comum, que o islã sempre visou abolir a escravidão. No entanto, a primeira formulação explícita dessa afirmação surgiu apenas no fim do século 19, proposta pelo reformador egípcio Muhammad Abduh (m. 1323/1905).” Bashir, autor de Slavery, Abolition and Islam (Oxford University Press, 2025), acrescenta: “Nenhum erudito religioso muçulmano anterior jamais havia pedido a abolição da escravidão.”
Al-Sawy não diz que escravizar cativos é errado. Diz que a prática deve ser deixada de lado porque o mundo concordou em abandoná-la e porque se tornou “um motivo para desencadear ataques contra a religião”. O máximo a que chega é dizer que “não é descabido” afirmar que o retorno à escravização agora é proibido. Mesmo isso se apoia em uma obrigação de tratado introduzida pela Liga das Nações, não em uma objeção moral enraizada na crença religiosa. Por esse raciocínio, a proibição da escravidão não se funda nos direitos humanos nem em uma crença de inspiração divina na igualdade humana, mas no impacto da escravidão sobre a reputação do islã e dos muçulmanos.
Elogios de Suleiman
Apesar de suas ideias retrógradas, a influência de Al-Sawy se estende profundamente pela comunidade islamista dos Estados Unidos. O xeique, por exemplo, mantém uma relação antiga com outro extremista baseado no Texas, Omar Suleiman, fundador e presidente do Yaqeen Institute for Islamic Research, na região de Dallas. Em um vídeo promocional publicado em 30 de abril de 2013 pela Mishkah University, Suleiman endossou Al-Sawy como um professor de primeira linha, descrevendo-o como alguém que “figura no topo” entre os que o inspiraram e chamando-o de “mujaddid de nossos tempos”.
“Não vi ninguém no Ocidente que se equipare ao seu conhecimento”, disse Suleiman, acrescentando que “ele é um professor para os professores”. Suleiman demonstra a mesma disposição de justificar a violência que perpassa os pareceres de Al-Sawy. Em vez de condenar o massacre de 7 de outubro, Suleiman e seu círculo o trataram como um ato de “resistência” capaz de ajudar a unir a umma, a comunidade global dos fiéis muçulmanos.
Jalal Tagreeb, ex-apologista sunita que já escreveu para o Middle East Forum, disse ao Focus on Western Islamism (FWI) que o conceito de jihad não tem lugar no mundo moderno. “Depois de quase 20 anos me preparando para me tornar um erudito muçulmano e dedicando um enorme esforço à da’wah e à jihad da palavra, cheguei à conclusão de que o conceito de jihad é inútil”, disse. “Conclamo os muçulmanos a abandoná-lo inteiramente. No mundo civilizado de hoje, não há lugar para tais ideias.”
O FWI procurou a Assembleia de Juristas Muçulmanos da América, a Islamic University of North America (Mishkah University) e a Medical Center Islamic Society, em Houston, mas não obteve resposta. Também procurou os três candidatos à próxima eleição para procurador-geral do Texas (Texas Attorney General), equivalente a secretário de Justiça estadual, cargo que supervisiona a aplicação das leis sobre organizações sem fins lucrativos no Estado. Enviou ainda uma consulta ao próprio procurador-geral, mas ainda não recebeu comentário.
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