Entidades cristãs e bispos se unem ao governo britânico por sanções a Israel
As organizações já financiaram ONGs palestinas com vínculos com o terrorismo
Jules Gomes é estudioso da Bíblia e jornalista radicado em Roma.

Importantes organizações cristãs sem fins lucrativos, conhecidas por sua atuação política contrária a Israel, saudaram as sanções britânicas contra o país, após quase dois anos de pressão sobre o governo trabalhista para punir o Estado judeu por suas “violações de longa data do direito internacional”.
Horas depois de o secretário de Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, anunciar sanções contra Israel em 8 de setembro de 2026, a Catholic Agency for Overseas Development (CAFOD) e a Christian Aid divulgaram comunicados saudando as punições.
A Christian Aid, que se apresenta como “a agência oficial de ajuda humanitária, desenvolvimento e defesa de causas de 41 igrejas patrocinadoras na Grã-Bretanha e na Irlanda, e parte da comunidade eclesial mundial”, elogiou a “proibição de importar produtos de assentamentos israelenses ilegais como um passo importante no enfrentamento do deslocamento forçado de palestinos de sua terra”.
Enquanto o rabino-chefe Efraim Mirvis condenou as sanções como um “dia sombrio para os judeus britânicos”, bispos anglicanos de destaque, entre eles o arcebispo de York, Stephen Cottrell, a bispa de Gloucester, Rachel Treweek, e a bispa de Chelmsford, Guli Francis-Dehqani, juntaram-se ao Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha (Muslim Council of Britain), ligado ao islamismo, no elogio às sanções.
Em discurso na Câmara dos Lordes, Cottrell, o segundo bispo mais graduado da Inglaterra, observou que “novas medidas” podem ser necessárias contra Israel. “Pedimos esse tipo de ação de princípios ao longo de muitos anos”, disse ele. “Acreditamos que essas medidas são simplesmente necessárias e, francamente, já deveriam ter sido tomadas há muito tempo.”
Treweek classificou a declaração de Miliband como “valente e corajosa”, observando que suas “palavras firmes traçam ações claras, que não são nem binárias nem de soma zero, e refletem a justiça, o amor e a misericórdia de Deus”. Francis-Dehqani instou o governo a aplicar as sanções com a “urgência necessária”, ao lado de “uma avaliação de medidas adicionais” para deter o projeto de assentamento israelense E1.
A Igreja da Inglaterra e as organizações cristãs sem fins lucrativos, que atuam em escala global, têm um histórico de ativismo contra o Estado judeu.
Em julho de 2026, o Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra aprovou o Kairos II, manifesto palestino que condena Israel como um Estado de supremacia judaica e defende o massacre do Hamas de 7 de outubro de 2023 como consequência da ocupação israelense.
Pouco antes da votação no Sínodo, a arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, provocou polêmica ao defender ativistas anti-Israel ligados a organizações terroristas e elogiar sua “resistência fiel” durante peregrinação à Terra Santa, entre 19 e 24 de junho de 2026.
A Christian Aid e a CAFOD fizeram lobby junto ao governo por sanções contra Israel nos últimos dois anos. Em setembro de 2024, as duas entidades assinaram uma carta ao secretário de Negócios e Comércio pedindo revisão urgente das relações comerciais com Israel.
Em setembro de 2025, as duas entidades publicaram um relatório intitulado “Trading with Illegal Settlements: How Foreign States and Corporations Enable Israel’s Illegal Settlement Enterprise.” Nele, pediam leis que proibissem todo comércio, investimento e prestação de serviços “com empresas sediadas em assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e nas Colinas de Golã, ou que operem a partir deles”.
Em janeiro de 2025, a Christian Aid instou o Reino Unido a “desafiar a ocupação”, inclusive com “a proibição de qualquer comércio e investimento com os assentamentos israelenses”. Em fevereiro de 2025, apresentou sete páginas de evidências ao Comitê de Relações Exteriores do Reino Unido, exigindo a revisão do Acordo de Comércio e Parceria entre Reino Unido e Israel, “em resposta aos atos internacionalmente ilícitos de Israel”.
A “demonização sustentada” promovida por essas organizações sem fins lucrativos “é central para levar o debate sobre o comércio com assentamentos das margens para os trabalhos parlamentares e as discussões de política de governo”, afirmou o NGO Monitor em relatório publicado em 8 de setembro de 2026.
O êxito dessas organizações não governamentais em atuar em conluio com o governo para sancionar o Estado judeu também demonstra sua influência na formulação de políticas em Londres em relação a Israel e sua afinidade com o Partido Trabalhista.
Relatórios do NGO Monitor associam o financiamento da Christian Aid ao Centro Palestino de Direitos Humanos (Palestinian Center for Human Rights), que mantém laços estreitos com a organização terrorista Frente Popular para a Libertação da Palestina, fundada por George Habash, a quem a revista Time batizou de “o padrinho cristão do terrorismo”.
De modo semelhante, a CAFOD concedeu recursos a diversas “ONGs altamente enviesadas e politizadas atuantes no conflito árabe-israelense”, entre elas a Islamic Relief Worldwide, entidade que os Emirados Árabes Unidos incluíram em sua lista de organizações terroristas designadas em 2014.
Não há registro de que os bispos anglicanos, a CAFOD ou a Christian Aid tenham pedido sanções contra outras nações que cometem abusos de direitos humanos, entre elas a Índia e a China, cujos governos e legislações perseguem cristãos, ou a Nigéria e o Sudão, onde aumentam os massacres jihadistas de cristãos.
Em reação às sanções, o teólogo anglicano Ian Paul reuniu uma lista de 17 países, observando que “o sistema de relatórios por país do Departamento de Estado dos EUA” documenta problemas de direitos humanos do Egito a Bangladesh. “Não apenas não estamos pensando em buscar sanções contra nenhum desses países, [como] procuramos desenvolver relações de apaziguamento com eles”, ainda que Israel seja “a única democracia da região, e a única que concede plenos direitos democráticos às suas minorias”, incluindo árabes, mulheres e minorias sexuais, escreveu ele.
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