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Esquerda semeia o caos na França com apoio de jovens muçulmanos

Especialista questiona se Abu Dhabi já não é hoje mais segura para judeus do que Paris

Dexter Van Zile, pesquisador do Middle East Forum, organização de pesquisa aplicada em políticas públicas, na cátedra Violin Family Research Fellow, é editor-gerente do Focus on Western Islamism. Antes do cargo atual, Van Zile trabalhou por 16 anos no Committee for Accuracy in Middle East Reporting and Analysis, onde teve papel central no combate à desinformação disseminada em igrejas cristãs por cristãos palestinos e na refutação da propaganda antissemita veiculada por nacionalistas brancos e seus aliados nos EUA. Seus artigos foram publicados no Jerusalem Post, no Boston Globe, na Jewish Political Studies Review, no Algemeiner e no Jewish News Syndicate. Ele é autor de numerosos estudos acadêmicos e capítulos de livros sobre o antissionismo cristão.

French riot police form a shield wall on a debris-strewn street near the Place de la Bastille in Paris, October 8, 2026, as rioting broke out on the edges of high-school student protests.
Policiais da tropa de choque francesa formam uma barreira de escudos em rua coberta de destroços perto da Place de la Bastille, em Paris, em 8 de outubro de 2026, quando irromperam tumultos às margens de protestos de estudantes secundaristas. · (Shutterstock)

O caos impera na França, onde grupos de jovens, muitos deles oriundos da crescente população imigrante do país, bloquearam ruas e monumentos, atacaram a polícia repetidas vezes, saquearam lojas e atearam fogo a prédios históricos numa rebelião que já dura semanas e remete à Comuna de Paris de 1871, quando insurgentes tomaram o controle da capital, ergueram barricadas por toda a cidade, incendiaram marcos históricos e aterrorizaram seus concidadãos.

Para retomar a cidade dos communards, as tropas do governo mataram milhares em combates de rua e execuções sumárias. Tomara que medidas tão drásticas não sejam necessárias para restabelecer o monopólio estatal do uso da força, que o presidente Emmanuel Macron, como outros líderes ocidentais, tem feito um mau trabalho em manter. Mas, quando e se esse monopólio for restabelecido, o país ainda terá de lidar com uma ameaça de longo prazo à sua estabilidade: uma rebelião persistente contra o Estado francês formada por estudantes de esquerda e jovens muçulmanos das banlieues (periferias).

O comentarista americano Ismail Royer, entrevistado pelo Focus on Western Islamism (FWI) no início de 2023, tem argumentado repetidamente no X que os distúrbios não têm relação com o islã nem com o islamismo. A agitação começou em 1º de outubro de 2026, como protestos contra o subfinanciamento das escolas. Em 6 de outubro, Royer escreveu: “Quem afirma que estes tumultos têm qualquer coisa a ver com o islã está enganado ou tentando enganar”. No mesmo dia, ele repostou uma mensagem que criticava a resposta do governo aos jovens e acrescentou, com sarcasmo: “Espera aí[,] eu pensei que os tumultos fossem sobre instaurar uma ditadura islamista”.

A comentarista da Fox News Asra Nomani, firme adversária do islamismo, confirma que, embora uma organização estudantil muçulmana, a Étudiants Musulmans de France (EMF), tenha promovido os protestos, a revolta é em grande medida incitada por “grupos comunistas liderados por adultos, sindicatos, partidos políticos, organizações da esquerda revolucionária, grupos de defesa de causas e veículos internacionais de propaganda”.

As evidências desmentem a ideia de que a rebelião nada tem a ver com o islã ou com o islamismo. Muitos dos rebeldes e saqueadores praticam seus atos ilegais sob bandeiras palestinas, marroquinas e argelinas — o que indica que a identidade islâmica tem papel na disposição de imigrantes muçulmanos de participar do que se parece cada vez mais com uma “intifada” contra o Estado francês. Há indícios de que os amotinados estão mirando negócios judeus e receberam instruções para poupar os muçulmanos. No mínimo, imagens de homens de pele escura, aparentemente de origem norte-africana, saqueando lojas e comércios locais em Paris indicam que jovens muçulmanos são apoiadores dispostos daquilo que Macron chama de uma tentativa de “causar dano à república”.

Além disso, ativistas alinhados ao islamismo aproveitaram a agitação para impulsionar sua longa campanha contra as regras laicas que regem as escolas públicas francesas, a saber, a lei de 2004 que proíbe símbolos religiosos ostensivos — inclusive o véu — e a proibição das abayas, de 2023. Antes das paralisações de 1º de outubro de 2026, alunos do Lycée Jacques-Brel, em La Courneuve, bloquearam a escola em 23 de setembro com cartazes que diziam “occupez-vous du viol, pas du voile” (“cuidem do estupro, não do véu”). Os sindicatos de professores da escola apoiaram o protesto como uma posição contra a “islamofobia”. O apoio da EMF aos protestos é outro motivo de alarme. Segundo a Reuters, um relatório do Ministério do Interior descreveu a EMF como um braço da Irmandade Muçulmana em 2025. A organização nega a acusação.

Jules Gomes, do FWI, relatou que alunos que invadiram uma escola de ensino médio em Beaugency cantaram uma música de rap que glorifica Mohamed Merah, que assassinou um rabino e três crianças judias em Toulouse em 2012, e Salah Abdeslam, único sobrevivente da célula do Estado Islâmico (ISIS) por trás dos atentados de Paris em 2015. O vídeo levou promotores em Orléans a abrir uma investigação por “apologia ao terrorismo”. Gomes também relatou que os amotinados cantaram a mesma música enquanto depredavam uma igreja católica em Soullans.

Os amotinados talvez não estejam lutando por uma “ditadura islamista”, como ironizou Royer. Mas um movimento cujos ativistas exigem que a República desmonte a laïcité para acabar com a “islamofobia” em suas escolas, e cujos soldados rasos entoam louvores a assassinos jihadistas, dificilmente é alheio ao islamismo.

O sociólogo da Universidade Rice Craig Considine, writing fellow do Middle East Forum, também rejeita a narrativa do “Não é o islã”.

Ao falar no The MEF Podcast em 19 de outubro de 2026, ele disse que os distúrbios estão “sendo enquadrados por boa parte da mídia como simplesmente jovens estudantes insatisfeitos, aborrecidos por não terem professores de matemática suficientes. É certamente muito mais do que isso”.

Considine, cujo novo livro When Marx Meets Islam descreve uma “aliança vermelho-verde” de esquerdistas e islamistas travando uma “guerra branda” contra o Ocidente, argumenta que a estratégia da coalizão “é transnacional” e “pode ser repetida em qualquer outro país ocidental”.

As cenas da França, admitiu ele, o fazem questionar sua própria terminologia: “‘Guerra branda’ é uma palavra branda demais para de fato explicar o que está acontecendo?” Para um judeu na França, ou para um conservador “que ama seu país, que não é islamofóbico, mas que também não dá as boas-vindas a grupos islamistas”, ele perguntou: “o que você faz?” Em seguida, como alguém que “esteve em Abu Dhabi muitas vezes” e aplaude o afastamento dos Emirados Árabes Unidos do extremismo, Considine formulou a pergunta que deveria inquietar todo líder europeu: “[S]erá que Abu Dhabi é mais segura para judeus, para conservadores, do que Paris ou Londres?”

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