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Middle East Forum expõe crimes contra a humanidade no Irã e o dinheiro que os sustenta

Os crimes do regime estão documentados pela ONU e pelos monitores que contaram os mortos um a um

The Iranian community in London holds a large demonstration against the Islamic Republic’s violence against its citizens; April 29, 2023.
A comunidade iraniana em Londres realiza grande manifestação contra o assassinato de cidadãos pela República Islâmica; 29 de abril de 2023. · Shutterstock

FILADÉLFIA – 7 de outubro – 2026. O Middle East Forum publicou hoje seu dossiê de responsabilização sobre o Irã: dois relatórios, um briefing, uma ficha informativa e o Iran Ledger, banco de dados público de autoridades, forças, bancos e empresas da República Islâmica do Irã. Em conjunto, os materiais documentam os assassinatos, as detenções em massa, a tortura e as execuções que se seguiram ao levante de 28 de dezembro de 2025, apontam os responsáveis e mostram quais governos os sancionaram e quais não o fizeram.

Blood Money: Crimes against Humanity in Iran (Dinheiro de sangue: crimes contra a humanidade no Irã)

“Blood Money” (39 páginas) cobre o período de 28 de dezembro de 2025 a 4 de outubro de 2026. Registra o número oficial do próprio governo iraniano, de 3.038 mortos; 7.007 mortes e 53.777 prisões documentadas pela Human Rights Activists News Agency (HRANA) nos primeiros 50 dias; 4.219 mortos identificados nominalmente pela Iran Human Rights, entre eles 281 crianças; e ao menos 31 manifestantes executados, segundo declaração conjunta de mais de 40 Estados no Conselho de Direitos Humanos da ONU em 30 de setembro de 2026. A Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, da ONU, concluiu que as violações incluem os crimes contra a humanidade de assassinato, encarceramento, tortura e outros atos desumanos (A/HRC/63/61, parágrafo 121). O relatório reconstitui a cadeia de comando do líder supremo até a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o Basij e os Tribunais Revolucionários e conclui que esses atos satisfazem os elementos de crimes contra a humanidade previstos no Artigo 7º do Estatuto de Roma.

O relatório pede que a União Europeia, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália designem o líder supremo Mojtaba Khamenei e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, nenhum dos quais figura nas listas desses países, e pede que universidades, fundos de pensão e gestores de ativos desinvistam dos conglomerados da IRGC e de fundações já designados. Uma ficha informativa de duas páginas apresenta cada número com sua fonte. Todos os números são contagens mínimas, atribuídas a uma fonte identificada, e as mortes na guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026 são contabilizadas separadamente.

The Hammer and the Anvil (O martelo e a bigorna)

“The Hammer and the Anvil: Iran’s Post-MOU Repression and the Economic Network That Sustains It” (O martelo e a bigorna: a repressão iraniana após o memorando e a rede econômica que a sustenta), de 31 páginas, examina o período de 1º de junho a 10 de agosto de 2026, as dez semanas em torno do Memorando de Entendimento de Islamabad. Doze ações do Departamento do Tesouro dos EUA e do Departamento de Estado nesse intervalo produziram 170 novos designados pelos EUA: 46 indivíduos, 90 entidades e 34 embarcações. Os governos aliados acrescentaram 13 ao todo. Exatamente um dos 170 tem alguma contrapartida entre os aliados, e Canadá e Austrália não fizeram nenhuma designação relacionada ao Irã nas dez semanas. Vinte e cinco empresas que o Departamento de Comércio incluiu em sua Entity List em outubro de 2025 por desviar tecnologia americana para os programas de armas e drones do Irã continuam fora da lista de sanções do Tesouro. O relatório apresenta oito recomendações, da replicação, por países aliados, das 170 designações à revisão, pelo OFAC, das 25 empresas.

Iran Watch Briefing (Briefing Observatório do Irã)

O “Iran Watch Briefing” (18 páginas) relata 40 desdobramentos verificados entre 1º de junho e 10 de agosto de 2026, com atualizações até 4 de outubro. O documento abre com a constatação do alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, de que o Irã executou ao menos 56 pessoas sob acusações de segurança nacional entre 19 de março e 5 de agosto de 2026, 27 delas ligadas aos protestos de janeiro, com mais de 100 outras em risco.

The Iran Ledger and the Crimes against Humanity Campaign (O Iran Ledger e a campanha sobre os crimes contra a humanidade)

O Iran Ledger reúne 959 perfis públicos; 891 têm ao menos uma designação. Registra 905 atos de designação nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, no Canadá e na Austrália e 259 lacunas em aberto distribuídas por 58 perfis, casos em que um desses governos analisou uma parte e não a designou. Os dados estão atualizados até 6 de outubro de 2026. O Sanctions Monitor mostra a situação de cada parte nas cinco jurisdições, a Blood Money List nomeia os alvos oficialmente designados e o Evidence File apresenta cada número de vítimas e de detenções por fonte e data.

A campanha se apoia nesse registro. A lista de ações (Take Action docket) do Ledger apresenta 12 pedidos às pessoas que podem atendê-los:

  • Legisladores e suas equipes nos cinco governos, começando pela replicação das 170 designações americanas posteriores ao memorando.
  • Responsáveis por compliance e bancos correspondentes, que analisam as partes citadas no registro.
  • Investidores institucionais, instados a informar a exposição ao conjunto analisado, nome por nome.
  • Universidades e conselhos de fundos de pensão, instados a aplicar as leis de desinvestimento já em vigor.
  • Cada pedido pode ser copiado como um parágrafo com fontes, pronto para uma carta, um memorando ou uma nota de triagem.

“O regime matou milhares de seus próprios cidadãos em questão de dias e enforcou manifestantes desde então. Isso é fato documentado, consignado pelas Nações Unidas e pelos monitores que contaram os mortos um nome de cada vez”, disse Gregg Roman, diretor-executivo do Middle East Forum. “O dinheiro que paga por isso passa por partes que um governo sancionou e quatro não. O Iran Ledger nomeia cada uma delas, para que governos, bancos e conselhos de fundos de pensão possam fechar essas lacunas.”

Correções e dúvidas sobre fontes devem ser enviadas para info@meforum.org.

Sobre o Middle East Forum

O Middle East Forum, organização de pesquisa aplicada em políticas públicas fundada em 1994, promove os interesses americanos no Oriente Médio e protege o Ocidente das ameaças oriundas da região.

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