EUA precisam pressionar países que dispensam visto para iranianos
O Departamento de Estado deveria condicionar a ajuda americana à exigência de pedido prévio de visto por esses países
Michael Rubin é especialista em Irã, Turquia e Chifre da África. Sua trajetória inclui a passagem por um cargo no Pentágono, com experiências de campo no Irã, no Iêmen e no Iraque, além de contatos com o Talibã antes do 11 de Setembro. Rubin também atuou na educação militar, ensinando unidades da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA sobre conflitos regionais e terrorismo. Sua produção acadêmica inclui diversas publicações importantes, como “Dancing with the Devil” e “Eternal Iran”. Rubin obteve doutorado e mestrado em história e bacharelado em biologia pela Universidade Yale.

As autoridades iranianas nunca esconderam seu desejo de vingança. Depois que o presidente Donald Trump mandou matar o chefe da Força Quds, Qassem Soleimani, nas últimas semanas de seu primeiro mandato, as autoridades iranianas ameaçaram vingança contra Trump, o secretário de Estado Mike Pompeo e outros integrantes de primeiro escalão de sua equipe para o Irã.
Depois dos ataques de decapitação de 28 de fevereiro de 2026 contra o líder supremo Ali Khamenei, as autoridades iranianas juraram vingança. Todos os integrantes da família Trump — até os netos — deveriam estar em alerta.
O regime iraniano — se tiver permissão para sobreviver — vai esperar sua hora. Pode aguardar até depois das eleições de meio de mandato do mês que vem ou até o próximo governo. Os americanos precisam estar preparados.
O regime iraniano não vai necessariamente esperar que líderes americanos viajem ao exterior; já demonstrou ter capacidade de operar em solo americano. Em 2003, um barman atento alertou o FBI sobre perguntas suspeitas que um imigrante iraniano fizera a respeito de logística enquanto servia na Reserva do Exército dos EUA. O FBI investigou e concluiu que ele havia servido na Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), embora o governo o tenha processado por mentir em seus documentos de imigração, para não expor fontes e métodos.
Em 2011, Manssor Arbabsiar, um vendedor de carros usados americano de origem iraniana, do Texas, cujo primo, Gholam Shakuri, era oficial da Força Quds no Irã, tentou contratar um matador de aluguel de um cartel mexicano para assassinar Adel al-Jubeir, embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos. O matador era informante da Drug Enforcement Agency, e por isso o FBI prendeu Arbabsiar antes que ele pudesse levar o plano adiante.
Em 2021, a inteligência iraniana tentou sequestrar a jornalista americana de origem iraniana Masih Alinejad e levá-la à Venezuela, então sob o controle do presidente pró-Irã Nicolás Maduro. No ano seguinte, a Guarda Revolucionária do Irã contratou matadores de aluguel da máfia azerbaijana para matar Alinejad. Em 12 de julho de 2024, o FBI prendeu Asif Merchant, um paquistanês a quem a Guarda Revolucionária havia incumbido de contratar matadores para assassinar Trump, o presidente Joe Biden ou a ex-embaixadora nas Nações Unidas Nikki Haley.
Embora o regime iraniano demonstre repetidamente sua intenção, muitos aliados dos EUA facilitam a infiltração de agentes da inteligência iraniana e da Força Quds perto do litoral americano. Haiti e Suriname concedem aos portadores de passaporte iraniano entrada sem visto por 90 dias. A ilha caribenha de Dominica oferece aos iranianos estadas de três semanas sem visto. No Pacífico, a Micronésia permite aos iranianos entrada sem visto por 30 dias, e Palau concede a eles visto gratuito na chegada.
Esses países não são os únicos a facilitar a chegada de iranianos, mas suas políticas põem em risco os Estados Unidos, seja pela proximidade, seja pela relação permissiva que os próprios EUA mantêm com eles. Voos comerciais diretos entre a capital surinamesa, Paramaribo, e os Estados Unidos são raros, por causa da demanda fraca, mas há cerca de 28 voos semanais da Caribbean Airlines entre Paramaribo e o aeroporto internacional JFK, em Nova York, via Trinidad, além de outros 19 voos da Copa via Panamá. Se iranianos conseguem entrar no Suriname — e conseguem, facilmente —, não é difícil que troquem de passaporte e se infiltrem nos Estados Unidos. Enquanto isso, há dez voos semanais da American Airlines ou da United Airlines entre Dominica e Miami e Newark, e outros oito para as Ilhas Virgens Americanas ou Porto Rico. Voos vindos do Haiti atraem mais atenção do Immigration and Customs Enforcement, mas ainda assim há 20 voos de Cap-Haïtien para Miami, Fort Lauderdale, Newark ou Boston.
Micronésia e Palau ficam mais distantes, mas sua disposição de aceitar iranianos sem visto é mais perigosa por causa da relação que mantêm com os Estados Unidos. Ambos são Estados soberanos em “livre associação” com os Estados Unidos. Washington cuida de sua defesa e exclui outras forças armadas. Em troca, os Estados Unidos oferecem ajuda e permitem que seus cidadãos vivam e trabalhem em território americano sem visto. Embora haja checagem de passaportes nos voos que saltam de ilha em ilha pelo Pacífico, entrar em Guam ou no Havaí vindo da Micronésia ou de Palau não é muito diferente de cruzar a fronteira entre Canadá e Estados Unidos.
Turquia e Catar também são problemáticos. A Turquia oferece acesso sem visto aos iranianos, e o Catar concede visto na chegada. As companhias aéreas dos dois países atendem uma dúzia ou mais de cidades americanas com voos diretos, o que abre um caminho fácil para infiltrados iranianos.
Nem todo portador de passaporte iraniano é, evidentemente, um agente do regime, mas é problemática a ideia de que o Departamento de Estado permita que iranianos cheguem tão perto com tão poucos controles. No ano fiscal de 2025, os Estados Unidos deram ao Haiti US$ 337 milhões, embora esse valor tenha sido cortado em 80% até agora neste ano. Suriname e Dominica recebem recursos por meio da Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe. Em março de 2024, o governo Biden assinou uma emenda ao Pacto, com duração de 20 anos, que compromete os Estados Unidos a dar à Micronésia US$ 3,3 bilhões e a Palau US$ 889 milhões até 2047.
Os Estados Unidos não precisam coagir países a proibir a entrada de iranianos, mas o Congresso deveria determinar ao Departamento de Estado que condicione a ajuda à exigência, por parte desses países, de que iranianos solicitem visto com antecedência. Do mesmo modo, o governo Trump não deveria permitir que nenhuma companhia aérea voe diretamente para os Estados Unidos se o país de partida não exigir que iranianos obtenham visto prévio. É simples bom senso.
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